14 junho 2018

Presidente da CM Salvaterra Magos vende quota parte da Escola Profissional a Privados por 300 mil euros

Foi aprovado pelo executivo da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos (CMSM), a venda da quota parte detida na Escola Profissional de Salvaterra de Magos (EPSM), pelo valor de 300 mil euros. A EPSM passará a ser totalmente propriedade de uma empresa privada, denominada de Convergência - Formadores Associados Lda. 
Esta decisão já foi tomada pela CMSM, mas falta a decisão da Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos, para que o "negócio" se concretize.
Escola Profissional de Salvaterra de Magos
Esta foi a decisão tomada em Reunião da CMSM de 23 de Maio, que a seguir transcrevemos :
"A proposta aprovada, tem por base a solução B, apresentada pela empresa Convergência –Formadores Associados, Lda, no sentido do Município vender a totalidade da sua quota a essa empresa, por um valor pecuniário de € 300.000,00 (trezentos mil euros), suportado por garantia bancária, sendo que o pagamento a realizar será dividido em oito prestações anuais. A primeira prestação terá o valor de €55.000,00 (cinquenta e cinco mil euros), sendo paga no acto da escritura e as sete prestações seguintes, no valor de € 35.000,00 (trinta e cinco mil euros) serão saldadas no final do mês de Junho de cada ano.

O senhor Presidente acrescentou ainda que se aditasse à proposta as seguintes condições:
1 -Que a Escola Profissional de Salvaterra de Magos se mantenha em Salvaterra de Magos, assim como a sede do IEFS - Instituto de Educação e Formação do Sorraia, Lda;

2 –No caso de alienação do património o Município tem preferência na sua aquisição; 

3 –Submeter a proposta aprovada com estas condições a decisão final da Assembleia Municipal."

A CDU de Salvaterra de Magos lamenta, que o PS de Salvaterra de Magos, mais uma vez, desbarate património do nosso concelho, pois como é público a EPSM é uma instituição de prestigio no nosso concelho, com um vasto património, com centenas de estudantes do concelho de Salvaterra de Magos e dos concelhos limítrofes e é do interesse do concelho de Salvaterra de Magos, que esta Escola Profissional continue a ser participada pelo Município, ou seja totalmente propriedade do Município.
Sabemos que a Escola Secundária de Salvaterra de Magos também tem curso profissionais, mas estes não fazem concorrência com os cursos ministrados na EPMS, veja-se, a titulo de exemplo, o curso de Hotelaria.
Sabemos que em Coruche, Santarém e Rio Maior existem escolas profissionais com participação das autarquias ou totalmente públicas, mas não são totalmente privadas.
Sabemos que a empresa Convergência – Formadores Associados, Lda, pretende comprar a totalidade da Escola Profissional de Salvaterra de Magos, e, para tal, enviou oficio dirigido à CMSM onde ameaçava com a venda da sua quota parte (terá sido estratégia para a compra? E com o aval prévio do Presidente da CMSM?) 
Não deixamos de estranhar o valor? Será que o património da EPSM só tem o valor de 300 mil euros? Porque é que o Sr. Presidente da CMSM  não mandou avaliar o património da Escola Profissional?
O terreno onde está a Escola Profissional e as respectivas edificações, não têm um valor superior a 300 mil euros?

Quem foi o anterior proprietário dos edifícios e do terreno, onde está implantada a Escola Profissional de Salvaterra de Magos? Quem fez as obras de melhoramento e adaptação dos edifícios? Com que dinheiro? Público ou privado?
Deve a Escola Profissional de Salvaterra de Magos, ser uma empresa privada? Que visa exclusivamente o lucro? A fundamentação invocada pelos privados, para a alienação, é insuficiente e não é correcta, porque as Escolas Profissionais são financiadas pelos FEEI e não é por serem privadas que os atrasos no financiamento vão deixar de existir .
Qual é a mais valia desta Escola Profissional para o nosso concelho, em termos de aprendizagem e qualificações para os nossos jovens? Será que isto nada vale para o Presidente da CM de Salvaterra de Magos?
Irão os deputados municipais do PS votar a favor desta venda? Saberão eles as implicações que esta decisão vai ter para o futuro desta escola ?
São estas e outras questões que gostariamos de ver respondidas pelo Presidente da CM de Salvaterra de Magos.

Salvaterra de Magos, 14 de Junho de 2018

CDU de Salvaterra de Magos

25 abril 2018

Intervenção da CDU na Sessão Solene da Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos no âmbito das Comemorações do 44º Aniversário da Revolução do 25 de Abril


PELA IGUALDADE DE GÉNERO

Começamos a nossa intervenção neste dia tão especial por saudar o executivo do município de Salvaterra de Magos pela escolha do tema "A Mulher Portuguesa - Do Estado Novo à Constituição de 1976" e das iniciativas que lhe estão associadas, nomeadamente a exposição "Itinerários de conquistas e direitos das Mulheres", cedida pelo Movimento Democrático de Mulheres e a apresentação do livro "Mulheres na Clandestinidade" de Vanessa Almeida.

À medida que a distância temporal para o 25 de Abril de 1974 vai aumentando temos assistido a tentativas cada vez mais descaradas de branqueamento do regime ditatorial fascista que perdurou no nosso país durante cerca de 48 anos. A aposta na suavização do fascismo tem sido levada a cabo por saudosistas, colonialistas e militaristas, mas também por gente apostada em reverter tudo aquilo que o povo e os trabalhadores conquistaram após a Revolução e que ficou devidamente vinculado na Constituição de 2 de Abril de 1976.

Convém por isso relembrar um pouco os mais distraídos e incautos aquilo que significou para o povo e, sobretudo para a mulher, os 48 anos de fascismo. Neste Portugal pintado apenas a preto e branco toda a gente era pobre, com excepção de uma ínfima parte da população, os ricos corporativistas. A maioria do povo era analfabeta e semi-analfabeta e não havia qualquer tipo de assistência médica ou de planeamento familiar. Era normal a mulher morrer no parto e a mortalidade infantil era a pior da Europa. As mães contavam os filhos vivos e os mortos. "Tive dez e morreram-me cinco". As crianças cresciam descalças, com uma bola de trapos como brinquedo, com dentes cariados e meia anãs por falta de proteínas e de vitaminas. Tinham grande probabilidade de morrer na infância, de uma doença sem vacina, de um acidente por negligência ou como consequência do trabalho infantil que era quase obrigatório porque não havia escolaridade obrigatória. As mulheres não tinham quaisquer direitos. Não tinham direito ao voto ou ao divórcio. Não frequentavam a universidade e eram entregues pelos pais aos novos proprietários, os maridos. Não podiam ter passaporte, nem sair do país sem autorização do homem, o chefe de família. A violência doméstica era vista com normalidade. As filhas excedentárias eram mandadas servir os ricos corporativistas e o clero nas cidades. Havia filhos bastardos com pais anónimos e mães abandonadas e vilipendiadas que se convertiam em prostitutas. Muitas mulheres viram os filhos e os maridos serem mandados como carne para canhão para terras africanas, onde muitos acabaram por morrer, vítimas das faces mais brutais do fascismo: o colonialismo e o imperialismo. Outros passavam a salto a fronteira fugindo da guerra, da miséria e da perseguição político-ideológica. A fé era a única coisa que o povo tinha e se lhe tirassem a religião não tinha nada. Deus era a esperança numa vida melhor. Depois da morte, naturalmente.

Não havia liberdade de expressão e o lápis da censura aplicava-se a riscar escritores, jornalistas e artistas. Havia presos políticos, assassinatos, exilados e clandestinos. Existiam também clandestinas. Mulheres que com enorme sacrifício pessoal abandonaram as suas casas, a sua família, as suas terras, até o seu nome, para mergulhar na clandestinidade e a partir dali combater o regime ditatorial fascista. Desde aqui prestamos um forte e sentido tributo ao combate dessas mulheres e à sua abnegação, coragem e resistência.
Se todas as lutas, pequenas e grandes, contribuíram para o derrube do regime fascista e o surgimento da Liberdade e da Democracia, aquela que se travou, durante os longos anos da ditadura, pela divulgação da palavra livre de censura, expressão da voz e dos anseios populares, foi tão importante que ficou conhecida como "o coração da luta popular". A polícia política do regime perseguiu com particular ferocidade os "cuidadores" desse "coração", os homens e mulheres que se empenhavam na impressão e distribuição da imprensa clandestina onde, naturalmente, o jornal «Avante!» órgão central do Partido Comunista Português foi a vanguarda nessa luta revolucionária. 

Passados 44 anos da heroica Revolução de 25 de Abril ainda não estão devidamente consagrados na prática os direitos da igualdade de género consubstanciados na Constituição de 1976. O que diria Clara Zetkin, que em 1910 apresentou a proposta de criação de um Dia Internacional da Mulher, se soubesse que as mulheres continuam em 2018 a lutar pela emancipação e pela igualdade de género? O que diria esta comunista alemã se soubesse que a formação superior a que as mulheres acederam, direito arduamente conquistado, não foi bastante para acabar com as discriminações salariais? E que a percentagem de mulheres que aufere o salário mínimo nacional é muito superior à dos homens? Ou ainda, que em 2018, em muitos sectores paira o entendimento de que, o dia que propôs com o objectivo de aumentar a consciência política e a organização das trabalhadoras, serve para presentear as mulheres com flores e chocolates, em vez de lhes reconhecer os direitos que a lei e a Constituição prevêem. Mas também, que a condição feminina, com os seus direitos específicos, ainda é motivo para atropelos como a repressão patronal ou o assédio sexual, a par da limitação do exercício da maternidade, em contradição com as notas oficiais que apelam a mais altas taxas de natalidade. Segundo dados da CGTP-IN, a desigualdade salarial atingiu, em 2016, 19,9% no ganho médio mensal. Resultado? As mulheres trabalharam mais 70 dias que os homens, sem receber.

Existe hoje a contradição que, muitas vezes, se verifica entre a presença de mulheres em lugares de decisão e a adopção de políticas que defendam e promovam os direitos das mulheres. Afinal, foi a Assembleia da República com mais mulheres numa legislatura que, entre 2011 e 2015 votou o corte nos salários, o aumento do horário de trabalho na Administração Pública e a retirada de direitos, quando a maioria dos trabalhadores são mulheres, sendo ministra das Finanças uma mulher. Não foi o Parlamento com mais mulheres que reverteu, em parte, a lei da interrupção voluntária da gravidez? Não foi uma mulher que, enquanto ministra, promoveu a lei das rendas que resultou no despejo de muitas mulheres e homens, particularmente do centro das maiores cidades do País?

Não se promove a emancipação e a igualdade de género ao mesmo tempo que se promove a precariedade e, consequentemente, a vulnerabilidade que o vínculo acarreta. Não se promove a emancipação e a igualdade de género ao mesmo tempo que se permite a desregulação dos horários de trabalho, dificultando a conciliação do trabalho com a vida pessoal, familiar, social, cultural e desportiva. É também aqui que, no nosso entender, se deve central a luta das mulheres trabalhadoras pela concretização da igualdade de género. Por Abril. Por Portugal. Pela Liberdade e pela Democracia.

Viva o 25 de Abril!
Vivam as mulheres portuguesas!


Salvaterra de Magos, 25 de Abril de 2018

Os eleitos da CDU na Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos,
João Caniço
Carlos Silva

27 fevereiro 2018

CDU Salvaterra de Magos - Sobre as descargas ilegais de tinta na Vala do Massapez em Salvaterra de Magos

A CDU de Salvaterra de Magos, na sequencia das descargas ilegais de tinta na Vala do Massapez em Salvaterra de Magos e de acordo com a informação prestada pela CM de Salvaterra de Magos, informa que a origem do foco poluidor foi uma descarga de tinta feita por uma fabrica de transformação de madeira de Salvaterra de Magos.


Esta é uma foto da cor da água da Vala do Massapez


 Deixamos de seguida a informação prestada pela CM de Salvaterra de Magos :
" No passado fim de semana surgiram indícios claros de contaminação das águas da Vala do Massapez (afluente da Vala Real), em Salvaterra de Magos, que apresentavam uma coloração azul.
De imediato a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos contactou a linha SOS Ambiente, o SEPNA da GNR, a Águas do Ribatejo e os empresários sediados próximo da rede pluvial que aflui à referida vala, por forma a que, em conjunto, pudesse ser determinada a origem da alegada contaminação.
Os Serviços de Saneamento do Município, juntamente com a equipa do SEPNA da GNR de Coruche, percorreram todo o traçado da rede pluvial e descobriram que a origem do foco poluidor foi uma descarga acidental, para a rede pluvial, de tinta usada por uma indústria de transformação de madeira de Salvaterra de Magos.
O derrame ficou contido à Vala do Massapez, não havendo contaminação das águas do Rio Tejo, tendo a empresa sido notificada para proceder à sua limpeza, bem como do coletor pluvial, removendo do local os resíduos de tinta que ali ficaram depositados.
Seguir-se-à o tratamento jurídico e contra-ordenacional previsto na lei. "

A CDU Salvaterra de Magos, lamenta todo este incidente, bem como esperamos, que, de facto, a tinta poluidora não tenha chegado ao Rio Tejo, pois, como é do conhecimento publico, esta vala dá para a Vala Real que por sua vez desagua no Rio Tejo.


Salvaterra de Magos, 27 de Fevereiro de 2018


01 fevereiro 2018

Escaroupim ao Abandono - Concelho de Salvaterra de Magos

A CDU Salvaterra de Magos, vem, mais uma vez, denunciar o estado de abandono a que foi votado o cais do Escaroupim, como é visivel pelas fotos e video que publicamos.




Para alertar possiveis incautos foram colocadas fitas e uma vedação da CM de Salvaterra de Magos - Que vergonha.







A CDU Salvaterra de Magos lamenta que o largo do Escaroupim esteja ao abandono e que o cais constitua, neste momento, um perigo para quem queira visitar aquele local.
Relembramos que Março é o mês da enguia.
Com a poluição do Rio Tejo e com o abandono do Escaroupim, certamente que não teremos muitos visitantes agradados com este cenário.
Por isso apelamos ao executivo da CM de Salvaterra de Magos que repare o cais de acesso no Escaroupim de forma a que não exista perigo para quem visite o Largo dos Avieiros no Escaroupim.

Salvaterra de Magos, 01 de Fevereiro de 2018

A CDU Salvaterra de Magos

30 novembro 2017

Declaração de Voto: Orçamento 2018

Orçamento e Grandes Opções do Plano (Plano Plurianual de Investimentos e Actividades Mais Relevantes) para o ano de 2018

A apresentação de um Orçamento e de um Plano Municipal são indissociáveis do espaço territorial e temporal onde se encontram inseridos, devendo ter como referência a gestão equilibrada da autarquia e a prossecução da sustentabilidade financeira da mesma, conforme é determinado pela legislação vigente.

Nesse sentido, o Orçamento e Grandes Opções do Plano para o ano de 2018 do Município de Salvaterra de Magos é na generalidade um documento de continuidade em relação ao ano anterior. Analisando o quadro resumo do Orçamento das Receitas e Despesas verificamos que praticamente todas as rubricas mantêm valores semelhantes, tanto absolutos como percentuais, registando-se variações residuais.

Também ao nível dos impostos directos que o Município arrecada directamente dos contribuintes (IMI, IUC, IMT e Derrama) se verifica uma tendência de estabilização total dos mesmos, após a forte subida registada em 2015 quando comparada com os valores de 2013 e 2014, seguida de uma quebra em 2016 em consequência da variação do IMT que é o imposto que sofre mais oscilações. Mesmo assim a estimativa para 2017 e a previsão orçamental para 2018 são superiores em cerca de 80 a 90 mil euros ao valor arrecadado em 2016 o que desmonta factualmente a propaganda do senhor presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos (CMSM) que afirmava recorrentemente ter baixado os impostos no município (fê-lo é certo, mas apenas para a Derrama e em valores francamente residuais) e ter receio na diminuição das receitas provenientes do IMI, o que não se veio manifestamente a concretizar, nem se prevê que possa vir a suceder.

Relativamente às transferências provenientes do Orçamento de Estado (FEF, FSM e Participação fixa no IRS) verifica-se igualmente uma tendência para a estabilização dos valores com um ligeiro acréscimo de quase 80 mil euros, pouco mais de um ponto percentual.

É sem surpresa portanto que o grosso do aumento no valor total do Orçamento ocorre na parte relativa às Receitas de Capital pela candidatura aos fundos comunitários e pelos empréstimos contraídos tendo em vista a construção do Centro Escolar de Foros de Salvaterra e Várzea Fresca, vias pedonais na EN 367 em Marinhais e a Reabilitação do Espaço Jackson em Glória do Ribatejo.

Face ao exposto, compreendemos a manutenção dos apoios financeiros e logísticos aos clubes desportivos, colectividades, IPSS's e juntas de freguesia e saudámos o incremento de 20 % no apoio concedido aos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos. Ao invés, lamentamos a recusa da implementação do Orçamento Participativo que seria no nosso entender, uma forma de aproximar eleitores dos eleitos, também nas tomadas de decisão para o nosso futuro colectivo, ainda que sob a forma de uma parcela simbólica atendendo aos constrangimentos orçamentais por demais conhecidos.

As prioridades definidas pelo senhor presidente da CMSM para 2018, tais como sejam a criação do Museu do Concelho, assim como a continuidade dos trabalhos de arranjos urbanísticos nas várias freguesias, são legítimas embora redutoras pois continua a ser por demais evidente a falta de um plano de desenvolvimento estratégico e sustentável para o município de Salvaterra de Magos. A fixação de população e dos seus jovens devia ser a principal prioridade da autarquia e para isso poder acontecer só com o direito ao emprego e a um trabalho digno. Os processos de candidatura a fundos comunitários anunciados pelo senhor presidente merecem na generalidade o nosso aval, no entanto revelam que não é prioritário para este executivo o investimento na zona industrial de Muge, o que lamentamos.

Comprometemo-nos a apoiar todas as situações e projectos que nos pareçam poder vir a melhorar efectivamente a qualidade de vida das nossas populações. Não contem connosco para demagogia, populismo e propostas irrealistas. Temos, naturalmente, algumas divergências programáticas em várias questões de fundo como ficou devidamente salientado nesta declaração de voto. No entanto, e atendendo às dificuldades de financiamento com que o poder local democrático se depara, o que inviabiliza parte significativa dos investimentos desejáveis, e respeitando as opções programáticas do actual executivo, não inviabilizaremos esta proposta de orçamento. Posto isto, o nosso voto é a abstenção.


Salvaterra de Magos, 29 de Novembro de 2017

Os eleitos da CDU na Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos,

João Caniço
Carlos da Silva


27 outubro 2017

Décadas de políticas de direita tiveram consequências trágicas

Propostas do PCP para a Floresta (clique na imagem para ampliar)

04 outubro 2017

Sobre os resultados das eleições autárquicas no concelho de Salvaterra de Magos

Quero começar por saudar os 9387 eleitores que exerceram o seu dever de cidadania e direito de voto no passado domingo no concelho de Salvaterra de Magos para a eleição das autarquias locais, fazendo com que a abstenção descesse e fosse agora de 49,56 % em vez dos 54,3 % registada na eleição de 2013. Mesmo com esta evolução positiva continuam a ser números preocupantes bem acima da média nacional que ronda os 45 %.

Quero saudar o PS na pessoa de Hélder Esménio pela vitória claríssima e por larga margem obtida nas eleições para a Câmara Municipal, passando de uma maioria relativa de 3 vereadores para uma maioria absoluta confortável de 5 vereadores. O BE conseguiu manter os 2 vereadores, ao passo que a CDU e o PSD-CDS perderam os seus mandatos no executivo camarário. A tentativa de regresso à liderança do município por parte de Ana Cristina Ribeiro não foi bem sucedida tendo mesmo o BE perdido mais de 200 votos em relação à eleição de 2013. A CDU e o PSD-CDS perderam também alguma votação o que originou a sua exclusão do executivo, no nosso caso por apenas 46 votos, resultado aquém das nossas expectativas que passavam pela reeleição do vereador conquistado há quatro anos.

Quero saudar também a Helena Neves pela reeleição para o cargo de vereadora e de vice-presidente e o Luís Gomes que também foi novamente eleito para este executivo. Saúdo ainda o João Oliveira, que ainda faz parte deste executivo, e que foi eleito presidente da União de Freguesias de Glória do Ribatejo e Granho.

Assistimos no passado domingo a um regresso ao passado nas freguesias de Marinhais, de Glória do Ribatejo e Granho. Essas populações entenderam por bem, e é totalmente legítimo em democracia, não elegerem dois jovens com provas dadas como autarcas nos últimos quatro anos e reconhecidos igualmente pela sua intervenção no movimento associativo ao nível cultural, recreativo e desportivo e que se apresentaram a estas eleições liderando candidaturas com programas e propostas bastante interessantes para as respectivas freguesias. Ao invés, elegeram, no caso da Glória do Ribatejo e Granho, um antigo presidente da junta de freguesia da Glória que regressa agora após uma passagem pouco feliz pela Câmara Municipal onde as divergências com o actual presidente da Câmara fizeram com que entrasse em ruptura com o PS e se apresentasse com um movimento independente nas eleições do passado domingo, tendo saído vencedor com maioria relativa. Em 1989, Luís Neves apresentou-se como o cabeça de lista da CDU à Assembleia de Freguesia de Marinhais, tendo obtido 433 votos, correspondentes a 20,8 %. Passados quatro anos foi novamente candidato, mas desta vez pelo PS, tendo ganho e sido eleito presidente da Junta de Freguesia com 1168 votos, correspondentes a 51,4 %. Em 2013, Joaquim Cardoso apresentou-se como o cabeça de lista do PSD-CDS à Assembleia de Freguesia de Marinhais, tendo obtido 209 votos, correspondentes a 8,75 %. Passados quatro anos foi novamente candidato, mas desta vez pelo PS, tendo ganho e sido eleito presidente da Junta de Freguesia com 912 votos, correspondentes a 35,7 %. Posto isto, regressámos ao tempo em que bastava ser candidato pelo PS para vencer as eleições em Marinhais, o que comprova bem a força da "marca PS" nesta freguesia.

Na União de Freguesias de Salvaterra de Magos e Foros de Salvaterra o PS, através de Manuel Bolieiro, obteve uma vitória esmagadora com quase dois terços dos votos e 10 dos 13 eleitos para a Assembleia de Freguesia o que reflecte bem a popularidade de que goza nestas duas freguesias, fruto igualmente do bom trabalho desenvolvido nos últimos anos, há que reconhecê-lo. Não é por acaso que foi o único presidente de junta recandidato pelo PS.

Finalmente na freguesia de Muge quero saudar e, acima de tudo, desejar boa sorte ao presidente eleito, Rui Silva, pelo trabalho hercúleo que o espera. Certamente que a sua formação académica lhe dará bastante jeito quando tiver que começar a pegar nos inúmeros imbróglios jurídicos que o esperam, sem esquecer o provável estado financeiro caótico em que deverá encontrar as contas da junta de freguesia.

Quanto a nós, CDU, iremos continuar o nosso trabalho tendo em vista o reforço da capacidade de resposta do município de Salvaterra de Magos e das suas freguesias que passam necessariamente pela recuperação da capacidade financeira das autarquias, por uma política que coloque a economia e a produtividade ao serviço do povo e dos trabalhadores, dê prioridade à regionalização e rejeite a chamada municipalização, que defenda a Escola Pública e o Serviço Nacional de Saúde, promova o desenvolvimento sustentável no plano ambiental, social, cultural e desportivo, incentive a criação de emprego com direitos e não a precariedade, garanta a mais justa repartição da riqueza, salvaguarde a propriedade e gestão pública de bens e serviços essenciais para as populações como a água, o saneamento básico e as redes viárias e ferroviárias.   
   
Foi a partir destas premissas que são a marca distintiva do projecto autárquico da CDU que construímos o nosso programa eleitoral para o concelho de Salvaterra de Magos e respectivas freguesias e que iremos continuar a nossa intervenção. Apresentámo-nos a estas eleições como a alternativa colectiva ao serviço da populações que rejeita por completo a fulanização e que tentou colocar fim a vinte anos de poder autocrático assentes em projectos uni-pessoais e do menosprezo de terceiros por meros delitos de opinião.

Ao contrário de outras candidaturas fizemos uma campanha limpa e honesta, apresentando os nossos projectos e propostas de forma clara, não entrando em ataques pessoais, comentando processos judiciais ou levantando suspeitas sobre as contas do município. Valeu tudo, em especial na última semana de campanha, onde até se chegou ao cúmulo de uma candidata invisual de uma outra força política sofrer ataques pessoais por parte de uma funcionária do município. Saímos de cabeça levantada, de consciência tranquila, por não termos entrado nestes jogos deprimentes e deploráveis que só empobrecem o Poder Local Democrático, uma das principais conquistas de Abril.

Finalmente, quero agradecer de forma sincera e calorosa a todos os candidatos e activistas da CDU que se empenharam de maneira generosa na campanha eleitoral, em especial à Margarida e à Barbara Vieira, que foram excepcionais. O vosso pai, o nosso querido camarada Bão, estará certamente muito orgulhoso. Agradeço também a todos aqueles que confiaram o seu voto à CDU, será honrado e não defraudado.


Salvaterra de Magos, 4 de Outubro de 2017

João Caniço, 
vereador da CDU