13 janeiro 2012

Barragem de Magos - As Promessas e a Realidade

“Foi na última Assembleia Municipal questionado pelos Deputados da CDU o recente corte de árvores na Barragem de Magos e se a Câmara Municipal teve ou não conhecimento prévio dessa situação, e se poderia ou não ter evitado o abate dessas árvores.”

Assim convém relembrar o programa eleitoral do Bloco de Esquerda no que refere á Barragem de Magos:

-“O Tejo como vertente estruturante para actividades de turismo e lazer dando continuidade é requalificação das margens das zonas ribeirinhas e Barragem de Magos - equipamentos de apoio e lazer”

Sem dúvida que a requalificação foi feita, cortou-se as árvores alterou-se a ambiente natural da zona, os equipamentos de apoio e lazer, fogareiros, mesas e bancos para piqueniques, caixotes de lixo, não existem nem nunca existiram. Aliás uma das formas de lazer que existia deixou agora de o ser que eram as próprias sombras das árvores. A tudo isto a Câmara Municipal assistiu impávida e serena.


Também no que respeita a promessas eleitorais consta no Programa desta vez dos “Jovens Bloco Salvaterra”:

-“Transferir a iniciativa (Juvemagos)(….), para um dos sítios de excelência do nosso concelho, a Barragem de Magos.”

Pois, jovens, uma coisa foi a Juvemagos, em ano de eleições passou para Setembro. No ano seguinte continuou no Cais da Vala, mas em Maio, o ano passado não houve por contenção financeira (opções legitimas), este ano volta a haver (novamente opções, que apesar de legitimas, são no mínimo incoerentes). Aguardamos assim que a iniciativa tenha lugar nesse “sitio de excelência do nosso concelho”.

No programa eleitoral da CDU constava sobre a Barragem de Magos, apenas o seguinte: “Aprovar e fazer cumprir os planos de pormenor da Barragem de Magos”

Estas simples palavras resumem tudo o que de facto a Barragem de Magos precisa desde sempre, Um Plano, e assim não teríamos as desculpas e justificações com “privados”, “ambientes”, e tudo o que sirva para descartar responsabilidades do crime ambiental ali cometido, do desprezo e abandono a que a Barragem se encontra, da não visão de futuro do que ali fazer, enfim.



05 janeiro 2012

Assembleia de Freguesia de Muge

Realizou-se no dia 29 de Dezembro de 2011, a Assembleia de Freguesia de Muge com as seguintes Ordens de Trabalho:


1-Leitura e Aprovação das Actas números 7 e 8
2-Apresentação do Relatório de Actividades
3-Votação do Mapa de Pessoal para 2012
4-Aprovação do Regulamento e Tabela de Taxas e Licenças para 2012
5-Discussão e Votação do Orçamento e Plano Plurianual de Investimentos para 2012
6-Zona Industrial



A Assembleia decorreu em ambiente descontraído, com as intervenções antes da ordem do Dia a centralizarem-se na falta de Médico na Freguesia, onde um eleito do B.E. acusou o P.S. de oportunismo politico ou associar-se aos protestos por parte da comissão de utentes, acusando nomeadamente o Senhor Nuno Antão de falta de ética politica. Não houve mais intervenções apenas alguns comentários soltos e com a chegada do Senhor Vice-Presidente da Câmara acabaram por ficar por ali. A pouca assistência do público, apenas duas pessoas é de salientar.


Nos diversos pontos de Trabalho praticamente não houve discussão, talvez devido a época festiva e quase todos foram aprovados por unanimidade.


A C.D.U aprovou o orçamento, mas salienta a sua preocupação devido ao corte de vinte mil euros nas receitas, salientando o Senhor Presidente que tal se deve á quebra das transferências por parte do Estado Central e das vendas dos terrenos na zona industrial, a Câmara mantêm as mesmas transferencias.


A C.D.U reafirma mais empenho por parte do Senhor Presidente da Junta na Zona Industrial, nomeadamente nalguns terrenos que ainda não se fizeram as escrituras e já passou o prazo desde que foi feita a promessa compra e venda e daí resultaria mais algum encaixe financeiro. Noutros terrenos que os prazos para a construção nos mesmos já expirou há muito tem que se negociar com os proprietários no sentido de ou constroem e criam postos de trabalho ou se faz a reversão para a Junta, conforme as clausulas da escritura publica.

03 janeiro 2012

Ainda a Greve Geral.

Foi do conhecimento da CDU, o comunicado emitido pela União dos Sindicatos de Santarém aos trabalhadores da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, o qual foi dirigido també á própria Câmara Municipal. Gestos destes ficam com quem os pratica, não nos devemos alongar em apreciações politico-partidárias pois essas deverão servir de análise ao próprio Bloco de Esquerda. A CDU, e activamente a Comissão Concelhia do PCP desde sempre apoiaram e estiveram activamente ao lado dos trabalhadores e do seu direito á Greve.

Comunicado da USS afecta á CGTP-IN:

"Informação aos Trabalhadores da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos




O passado dia 24 de Novembro irá ficar para a história de Portugal como uma jornada memorável da luta dos trabalhadores portugueses pelos seus direitos e pelos direitos das gerações vindouras.



A Greve Geral foi a maior de sempre, tendo registado adesões esmagadoras no sector público.



Os trabalhadores da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos também deram o seu importante contributo à concretização da Greve Geral e esse sim é o facto mais relevante e pelo qual desde já a União dos Sindicatos de Santarém saúda os trabalhadores desta autarquia.



Contudo não pode esta União dos Sindicatos deixar de manifestar a sua indignação e repúdio pela atitude assumida pelo Sr. Vice-Presidente dessa mesma autarquia, visando intimidar e limitar o direito à Greve constitucionalmente previsto.






A retirada de propaganda sindical, nomeadamente de uma faixa que estaria afixada no portão dos estaleiros e a ordem de entrada e de início de laboração dada por este aos trabalhadores que por ali estavam é sinónimo dessa mesma intenção.



Uma atitude deste tipo, proveniente de um eleito de uma força política que manifestou publicamente o seu apoio à realização da Greve Geral é lamentável e demonstrativa de uma falta de respeito pelas mais elementares regras democráticas.

Esse mesmo facto já foi transmitido à Câmara Municipal de Salvaterra de Magos.



Gestos deste tipo só comprovam que a Greve Geral faz mossa e incomoda o patronato, seja público ou privado e certamente ainda encorajarão mais os trabalhadores a lutar pelos seus direitos.



Embora este comportamento possa ter condicionado a adesão à Greve por parte de alguns trabalhadores, felizmente que não será este tipo de incidentes que marcam o futuro e o desenvolvimento do País, bem pelo contrário mais tarde ou mais cedo acabam sempre por ser derrotados e assinalados historicamente como atitudes retrógradas de quem não sabe viver em democracia.



Viva a Greve Geral!

02 janeiro 2012

Intervenção dos Deputados da CDU na AM de Salvaterra de Magos - 30 de Dezembro.

Realizou-se no dia 30 de Dezembro, a última AM de Salvaterra de Magos, do ano 2011, com relevância para aprovação do  orçamento de Câmara para 2012, assim como, os Planos de Grandes Opções e Plurianual de Investimentos para 2012.

Os deputados municipais da CDU,  começaram, na sua intervenção por  questionar o executivo, acerca do abate de árvores na Albufeira de Magos, ocorrido recentemente, naquela zona. Questionaram também - mesmo sabendo que aquele terreno é propriedade privada(Associação de Regantes), se a autarquia de Salvaterra de Magos,  podia ter negociado contrapartidas para evitar, aquele abate, que "despiu" completamente a Albufeira de Magos. A Sra Presidente, respondeu, que a autarquia, não teve conhecimento prévio, acerca daquele abate, e que por isso, solicitou a Direcção Regional de Florestas, um parecer sobre aquele abate. De seguida, a bancada da CDU, questionou o ponto de situação da Requalificação do Rossio de Muge e Reabilitação da Vala de Muge e da construção do Centro Escolar de Marinhais.  Em relação ao Rossio de Muge, a Sra Presidente, respondeu, que o inicio da obra, está previsto para a primeira quinzena de Janeiro. Quanto a construção do Centro Escolar de Marinhais - que sofreu contratempos( a empresa faliu), sendo por isso, necessário abrir um novo concurso público, para adjudicar a obra a uma nova empresa. Sobre, este tema, a Sra Presidente, afirmou, que o Centro Escolar de Marinhais, não estará operacional para o ano lectivo de 2012/2013 - ao contrário do que tinha afirmado, na Reunião de AM de Salvaterra de Magos de 29 de Junho de 2011, mas sim, para o ano lectivo de 2013/2014.

Quanto aos pontos da Ordem de Trabalhos, foi aprovado a derrama de 1,5% para as empresas com um volume de negócios superior a 150 mil euros e de 1% para as empresas com um volume inferior a 150 mil euros.A receita proveniente do IRS  para o municipio manteve-se nos 5%,  e o mapa de pessoal para 2012, foi aprovado.A parte final da AM de Salvaterra, foi reservada, à discussão e aprovação do Orçamento de Câmara para 2012. O Orçamento foi aprovado.

27 dezembro 2011

Assembleia de Freguesia de Glória do Ribatejo

Realizou-se na passada sexta-feira 23 de Dezembro pelas 21h, na sala de reuniões da Junta de Freguesia de Glória do Ribatejo, a 4ªAssembleia de Freguesia Ordinária do Ano de 2011.



Esta reunião contou com a presença da Filipa Monteiro como membro desta mesma Assembleia eleita pela CDU, em substituição do António Fino, que pediu suspensão do seu mandato por razões de saúde.



Constava da Ordem de Trabalhos os seguintes pontos:

1. Discussão e votação de toponímia para a Freguesia.

2. Apreciação do Relatório de Actividades do 4º trimestre.

3. Apreciação e votação do Plano de Actividades para 2012.

4. Apreciação e votação do Orçamento para 2012.

5. Apreciação e votação do Mapa de Pessoal.

6. Apreciação e votação do Plano Plurianual de Investimentos (PPI).

7. Outros assuntos de interesse para a Freguesia.

-Em análise ao Plano de Actividades de 2011, foi questionado o executivo da Junta de Freguesia, quanto á não realização da Semana do Teatro prevista para Maio de 2011, ao que o Srº Presidente respondeu que o mesmo “não se realizou por razões logísticas”.



-No Plano de Actividades para 2012, no qual estava previsto o aterro do Poço sito na Rua do Covão e demolição da casa do motor ai existente, foi questionado o executivo se esta construção não seria considerado Património para a freguesia, uma vez que já era muito antigo e que certamente existia uma história associada á sua existência que deveria ser preservada para memória colectiva. O Srº Presidente reconheceu que “este ponto poderia levantar polémica ao que se comprometeu a não avançar com a sua demolição, antes pedir que se faça um “levantamento” sobre a história do mesmo e que seja preservado", reconhecendo também que o "mesmo estava seguro e que não havia razões que pusessem em causa a segurança dos moradores e/ou peões.”



-Consta do mesmo Plano para 2012 obras de remodelação no Bar do Ringue, a CDU questionou se estava previsto fazer-se uma placa no telhado deste espaço e quais eram efectivamente as intervenções a ser feitas, elogiou-se também que finalmente estivesse previsto a construção de uma casa de banho para senhoras, o que até á data lamentavelmente não existe, algo que estava no Programa eleitoral da CDU e que de certo seria uma prioridade nossa. Foi ainda reforçada a ideia que esta obra deveria estar pronta antes do Torneio de Futebol de Salão que ali acontece anualmente em Abril/Maio.





-Foi também pedido o esclarecimento quanto aos critérios para atribuição de subsídios ás colectividades, nomeadamente em relação ao Sport Club Desportos, foi relembrado pela CDU que o mesmo desenvolve a sua actividade ininterruptamente de segunda a segunda, com mais de 150 atletas, e que os custos associados a essa actividade, nomeadamente Luz, Gás, Água, alimentação, etc, são muito elevados e que se não seria possível á Junta de Freguesia aumentar o subsidio a esta colectividade. O Srº Presidente realçou a actividade desta colectividade, bem como que além deste subsidio colabora com o Clube em mais actividades como a limpeza da envolvente ao campo.



-Na rubrica Projectos continua a constar mais uma vez o Projecto para o espaço “Jackson”, foi pedido se havia algum projecto já previsto e em que constava o mesmo, foi sugerido que as Associações instaladas no Jackson fossem também ouvidas na elaboração deste projecto, e que o mesmo fosse regularmente apresentado na Assembleia de Freguesia quanto á sua evolução para conhecimento da mesma.



-Está no Plano previsto também a construção de um monumento em Homenagem aos Combatentes do Ultramar, entre a Junta de Freguesia e os Sanitários Públicos, ao que a CDU não entende a necessidade e o propósito desta obra, bem como se a mesma, a ser feita, não deveria ser antes feita no Largo da República (Rato), ou seja a meio da Rua Combatentes do Ultramar.



Outras questões foram levantadas pela eleita da CDU, nomeadamente:

- O porquê de não haver água no chafariz do Parque Infantil, algo que se arrasta há meses;

-O porquê dos sanitários das senhoras no Largo 1º de Maio estarem sempre fechadas, foi feito um apelo a que as mesmas fossem abertas pelo menos durante o dia;

-Aquando da pintura do ringue e zona envolvente, por que não foi aproveitado a presença dos pintores da Câmara Municipal para pintar o muro do estacionamento do Centro de Saúde;

-A necessidade de pintura e limpeza da Travessa Constantino Caneira, bem como a reparação das placas toponímicas, que durante as Festas da Glória recebe milhares de visitantes e que se encontra num estado a precisar de conservação urgente;

-No que vai constar o Plano de Remodelação do Largo do Poço da Roda, o que não foi apresentado de forma clara pelo executivo e o que se pretende efectivamente fazer neste espaço nobre da nossa freguesia.



A CDU demonstrou nesta Assembleia a sua forma construtiva de colocar as questões ao executivo desta Junta de Freguesia, apresentando as suas perspectivas de apoio ou discordância face aos diversos pontos do Plano de Actividades, tendo sempre em conta quais devem ser as prioridades na nossa perspectiva para o desenvolvimento da freguesia, o bem-estar dos glorianos e de quem nos visita, como tal foram votados favoravelmente os pontos apresentados a votação.



Após a intervenção dos eleitos na Assembleia a sessão foi aberta aos “fregueses” presentes, na qual interviu Nuno Monteiro ligado á CDU, colocando questões relacionadas com o Site da Junta de Freguesia e a necessidade de intervenção na entrada do Campo dos Carvalhos:

-O site www.jf-gloriadoribatejo.pt o qual foi elogiado pela sua feitura, necessita de divulgação que praticamente não existe, podendo a mesma ser feita aquando do Edital da convocatória desta Assembleia ou de um comunicado da Junta de Freguesia divulgando a existência do mesmo. Foi também sugerido que estivesse acessível aos visitantes do site alguns documentos importantes nomeadamente, o Plano de Actividades 2012 e respectivo Orçamento. Que na parte das “noticias” estivesse patente todas as actividades existentes na freguesia e que para isso seria necessário a colaboração das colectividades divulgando as suas iniciativas, bem como da necessidade de haver um link que ligasse aos sites, blogs ou facebooks dessas mesmas colectividades.

-Foi também sugerido que a Junta no seguimento dos protocolos elaborados com a Câmara Municipal na construção de passeios e zonas de estacionamento em vários arruamentos da freguesia, solicitasse a elaboração de um Protocolo de intervenção na zona de entrada do Campo dos Carvalhos que contemplasse a continuação do passeio até á rotunda zona de estacionamento e alcatroamento para que se dignificasse esta área da freguesia que semanalmente recebe dezenas de pessoas da Glória e visitantes. Foi igualmente relembrado a necessidade de colocação de pavê entre a entrada do Campo e os Balneários.





21 dezembro 2011

Reunião da Assembleia Municipal - Dia 30 de Dezembro.

Dia 30 de Dezembro, ás 21 H, realiza-se-á, a última reunião da Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos de 2011.

A ordem de trabalho será a seguinte:



convocatoria - deputados 30-12-2011

Assembleia de Freguesia de Glória do Ribatejo

A CDU informa que o  seu membro eleito na Assembleia de Freguesia da Glória do Ribatejo e cabeça de lista nas ultimas eleições autárquicas a esta Junta de Freguesia, António Fino, pediu a suspensão do mandato por um periodo de seis meses, por motivos de saúde. Assim será substituido pela Filipa Monteiro, a quem desejamos um bom trabalho na defesa dos interesses da população. Votos de boas propostas, criticas e sugestões.
Mais se informa e convida a estarem presentes e participar na próxima Assembleia de Freguesia da Glória do Ribatejo sexta-feira 23 de Dezembro pelas 21horas. 

25 novembro 2011

Reformas na adminstração local.

Deliberação






Considerando que a apresentação da Proposta de Lei do OE para 2012 põe a nu as reais motivações, conteúdos e objectivos que o Documento Verde da Reforma da Administração Local (conhecido como «Livro Verde») dissimula sob um punhado de frases feitas e falsos desideratos ali proclamados;



Considerando que às altissonantes proclamações contidas no «Livro Verde» (de que são exemplo as repetidas referências a “ganhos de escala”, “coesão territorial”, ”sustentabilidade financeira”, “racionalização e eficiência”) se revela exposto contrapõe, em toda a sua exuberância e brutalidade, esta proposta de lei de Orçamento de Estado que, em si mesma, em matéria de autarquias locais, é um exercício de condenação do poder local democrático e um ataque sem precedentes ao municipalismo e à vida democrática no plano local;



Considerando que a Proposta de Lei do Orçamento de Estado para 2012 exibe e impõe um modelo que, para lá da flagrante violação do princípio constitucional da autonomia, exprime uma concepção centralista e de grosseira subalternização do poder local, procurando transformar as autarquias em meras dependências do poder central administradas e reguladas em matérias decisivas (como as financeiras, orçamentais e de pessoal) a partir não das decisões dos eleitos com legitimidade para o fazer, mas sim de actos discricionários de membros do governo;



Considerando que esta concepção (em flagrante contraste e negação da retórica exibida pelo«Livro Verde» sobre “reforço saudável do municipalismo“) significa que decisões como as de abertura de concursos para admissão de pessoal, de fixação da estrutura municipal ou da definição elenco de pessoal dirigente ou de contracção de empréstimos passam a ser determinadas pelo Ministro da Finanças, num quadro conceptual de gestão local que a aproxima perigosamente daquela a que a Revolução de Abril veio pôr cobro;



Considerando que a Proposta de Lei do Orçamento de Estado para 2012 dá um novo passo, agora qualitativamente de outro nível, no processo de asfixia financeira das autarquias (evidenciado pela perda crescente de peso das transferências para as autarquias quando comparadas quer na sua relação com a evolução dos impostos cobrados pelo Estado, quer na sua relação com o Produto Interno Bruto) e que há já largo tempo se vem desenvolvendo ao arrepio do preceito constitucional que determina a justa partilha de recursos públicos entre os níveis central e local do Estado em flagrante violação dos regimes legais de finanças locais (cada um deles construído, no plano dos montantes a afectar às autarquias, sobre os escombros de sucessivos incumprimentos dos que o antecederam);



Considerando que, com esta Proposta de Lei, o Governo não só retira mais 120 milhões euros aos valores transferidos pelo Orçamento de 2012 face ao de 2011 (num processo de subtracção de verbas a que as autarquias tinham direito que ascenderá a uma verba superior a 700 milhões de euros no período de 2010 a 2012 e a cerca de 1.200 milhões de euros até 2013 se não for interrompida a aplicação do Pacto de Agressão que está a ser imposto ao país) como lança mão de novos e intoleráveis expedientes para cobrir novos roubos ao poder local;



Considerando que é inaceitável num estado de direito e democrático, que o Governo decida, tenha em vista não só reduzir, arbitrária e discricionariamente, reduzir para metade os limites estabelecidos em Lei para efeitos de endividamento (de 125 para 62.5% do montante das receitas provenientes dos impostos municipais, da participação dos municípios no FEF, da derrama e da participação nos resultados das entidades do sector empresarial local, relativas a o ano anterior) e colocando, de um momento para o outro, mais de 180 municípios numa situação de “incumprimento” sem que tenham alterado nenhum elemento material relevante;



Mais considerando que, defraudando os mais elementares princípios da boa fé, o mesmo Governo, suportado nesse golpe, pretende justificar uma retenção de verbas que ascenderá a mais de 150 milhões de euros;



Considerando a intenção de roubar aos trabalhadores da administração local (a exemplo do sucederá nos outros níveis da administração pública e à generalidade dos pensionistas) as remunerações correspondentes aos subsídios de férias e de Natal que, a par da prorrogação das reduções salariais que vigoraram este ano e dos novos cortes nos pagamentos devidos pela prestação de trabalho extraordinário, constituirá um golpe nos rendimentos familiares com consequências não apenas nas condições de vida e dignidade de milhares de famílias como um factor de retracção na vida económica local e nas possibilidades de sobrevivência de pequenos empresários;



Considerando que com a drástica redução de verbas transferidas para as autarquias fica não apenas comprometida a capacidade de investimento e de resposta necessária às funções de serviço público, mas também a possibilidade de apoio e estímulo à actividade das colectividades e do movimento associativo em geral que hoje têm como único parceiro o poder local para a múltipla e insubstituível acção de promoção do desporto, da cultura e do recreio que desenvolvem;



Considerando que adicionalmente e para lá das retenções ilegais que a citada Proposta de Lei consagra e dos pagamentos coercivos impostos a pretexto de ressarcir o Serviço Nacional de Saúde, ela determina ainda um conjunto de disposições sobre dívidas a fornecedores e a “encargos assumidos e não pagos” que, em rigor, podem significar a absoluta impossibilidade de gestão financeira e orçamental de um número significativo de autarquias;



Considerando que a chamada “reorganização administrativa” destinada à liquidação (pomposamente disfarçada no Livro Verde sob a designação de “agregação”) de quase duas mil freguesias constitui em si mesmo um deliberado factor de empobrecimento da dimensão democrática e participada do poder local e do valor que representa a alargada intervenção de cidadãos na gestão da vida pública local (uma redução de quase 20 mil eleitos da intervenção cívica e política) e um visível reflexo das concepções antidemocráticas instaladas no Governo;



Considerando ainda que esta “reorganização” não é determinada por nenhuma intenção séria de dignificar e elevar a eficácia da gestão das autarquias (o que pressuporia, como linha condutora essencial, o fortalecimento das condições, meios e instrumentos postos à disposição do poder local e não a sua sonegação) ou de “modernizar” a administração do território (que exigiria, para ser levada a sério, não um processo cego de liquidação de centenas de autarquias mas sim a concretização do processo de regionalização);



Considerando que com esta reforma o que se pretende é menorizar o poder local e a expressão democrática de representação e participação política (e não a cínica invocação de “melhoria da eficácia”), atingindo pela extinção coerciva as freguesias e por um maquiavélico processo de asfixia e inviabilidade financeira (que o Orçamento de Estado testemunha) a liquidação de dezenas de municípios;



Considerando, por fim, que se pretende ainda impor a subversão do sistema de eleição dos órgãos municipais para assegurar a constituição de executivos monocolores à custa da liquidação do seu carácter plural e democrático e das condições de fiscalização e controlo democráticos, num quadro em que, no fundamental, o actual regime provou ser não apenas um factor de governabilidade e estabilidade, mas também um espaço de cooperação e trabalho comum de eleitos de diversas forças políticas.





...................... delibera:



1. Rejeitar o chamado «Livro Verde» para a reforma da administração local por este se constituir como um instrumento orientado para a liquidação do poder local democrático e das suas características mais progressistas;



2. Manifestar a sua mais viva oposição a uma proposta de Lei de Orçamento de Estado que se afirma, nas suas disposições, como um meio de impor limitações inaceitáveis à autonomia das autarquias e de consagrar cortes de financiamento incompatíveis com o pleno direito de exercício das suas atribuições e competências;



3. Rejeitar a campanha de condicionamento da opinião pública para a menorização do poder local e de fomento da desconfiança sobre os eleitos, destinada a justificar um ataque que em ultima instância, é dirigido contra as populações e se destina a iludir o contributo insubstituível que as autarquias deram para a melhoria das condições de vida e o progresso local traduzido numa obra que, não isenta de insuficiências, está à vista e comprova o seu papel como o factor principal de investimento local e de rentabilização das verbas postos à sua disposição;



4. Alertar as populações, o movimento associativo local, os trabalhadores das autarquias e os agentes económicos locais para as consequências nas condições de vida e nos condicionamentos ao desenvolvimento e progresso locais que daqui resultarão;



5. Sublinhar que este ataque ao poder local é um ataque dirigido às populações, aos seus direitos e legítimas aspirações a uma vida digna, é inseparável da ofensiva que ao mesmo tempo extingue serviços públicos, nega o direito à saúde, reduz o direito à mobilidade, tudo num processo de desertificação e abandono que a liquidação das freguesias só acentuará;



6. Manifestar a inteira solidariedade aos trabalhadores das autarquias atingidos nos seus rendimentos, direitos e estabilidade de emprego quer pelas disposições do Orçamento de Estado relativas a matéria salarial ou de carreira, quer pela ameaça decorrente da extinção de centenas de freguesias ;



7. Apelar à mobilização, ao protesto e à manifestação dos legítimos sentimento de indignação por parte da população e dos trabalhadores contra estas medidas e estes objectivos, sublinhando que essa luta é parte integrante do direito e do dever dos portugueses de exigirem a rejeição do Pacto de Agressão que, imposto pelo estrangeiro e subscrito pelos promotores da política de direita, ameaça e compromete o futuro dos portugueses e do país.