19 março 2012

Extinção de Freguesias

A CDU manifesta a sua total oposição á Lei 44/XII sobre a reorganização administrativa, que mais não é que a extinção de mais de um terço das freguesias através da agregação. Mais que os critérios da proposta de Lei convém apontar os objectivos da mesma:

-Enfraquecimento da democracia participada
-Perda de capacidade de afirmação, representação, luta e defesa dos interesses das populações, com a perda dos seus porta-vozes e representantes mais próximos
-O despedimento ou a mobilidade dos trabalhadores das freguesias a extinguir


Como a própria Lei reconhece, não é por razões económico-financeiras que esta Reforma se impõe, mas sim para dar cumprimento ao Acordo estabelecido entre a Troika o PSD, o CDS e o PS, o Pacto de Agressão que tem agredido os trabalhadores, os reformados, os estudantes e agora as freguesias. Não podemos “sacodir a água do capote” que estas forças politicas ao assinar tal acordo e constando no mesmo a exigência da Reforma do Poder Local ao ser feita por um Governo de Direita poderia como agora constatamos levar a esta situação grave para todas as freguesias e dramática para as freguesias do nosso Municipio caso a mesma seja literalmente aplicada.

Mais uma vez a politica do Governo, agora PSD/CDS, antes PS, é a mesma de sempre, a de fechar serviços públicos, os correios e a segurança social em Marinhais, os Centros de Saúde de Muge e do Granho, cortar, cortar sempre nos que menos podem e que menos tem.


Apoiamos e apelamos á participação dos nossos autarcas no

Movimento “No Ribatejo, Freguesias sim!”:

- Rejeita a Proposta de Lei nº 44/XII porque, nos seus objectivos se propõe agregar freguesias com carácter obrigatório e sob chantagem;
- Exige que as Freguesias sejam ouvidas e a sua opinião seja tida em conta.


O Movimento Unitário “No Ribatejo, Freguesias sim!”, propõe-se:

– Lutar contra o autismo e prepotência do Governo quanto à aplicação da Reforma Administrativa, propondo a auscultação das populações e dos autarcas de freguesia democraticamente eleitos;
Promover uma reunião geral de eleitos em defesa das freguesias do distrito a ter lugar no dia 23 de Março, Sexta-Feira, às 20,30h, na Associação Cultural e Recreativa de Vale de Estacas em Santarém, (Praceta Bairro 1º de Julho, Lote 3 R/C – Vale de Estacas – junto ao Continente);
– Promover a informação, o esclarecimento e a mobilização junto das populações e das suas associações, colectividades e poder político e partidário local, regional e nacional quanto à exigência de as populações e os autarcas de freguesia serem ouvidos de acordo sobre o processo;
- Apoiar todas as ações em curso contra a reorganização administrativa, designadamente a manifestação nacional que terá lugar no dia 31 de Março em Lisboa.

06 março 2012

Mais um caso alarmante.




As medidas de austeridade do governo, intensificam-se, cada vez mais, no nosso concelho, desta vez, com incidência na Freguesia dos Foros de Salvaterra, colocando em risco a prestação daquele serviço de saúde, aos doentes oncológicos, doentes idosos que precisam constantemente de tratamentos de saúde, aos doentes que não tem qualquer mobilidade, aos doentes que não tem outra forma de se deslocar aos serviços de saúde,e que certamente, ali residem. Esta freguesia é das mais populosas, do Concelho de Salvaterra de Magos,  e é a única que não têm uma Extensão de Saúde, sendo a prestação deste serviço, essencial à população, para se deslocar a um centro de saúde ou um hospital para receber tratamentos de saúde.

Intervenção dos deputados da CDU na AM de Salvaterra de Magos - 29 de Março

A reunião da AM começou, com uma comunicação do Sr. Presidente da Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos aos deputados municipais. O Sr.Presidente, informou, que a realização da próxima Assembleia Municipal, está agendada, para dia 27 de Abril de 2012, na Casa do Povo de Glória do Ribatejo. Foi também comunicado, pelo Sr. Presidente, que o Sr. Presidente de Junta de Glória do Ribatejo, tinha renunciado ao cargo de membro da comissão Intermunicipal de Protecção das Florestas, sendo posteriormente, substituído, pelo Sr. Presidente JF- Granho - que foi eleito, nesta reunião. 


Antes da ordem de trabalhos, o Deputado Municipal, Alexandre Fonseca, felicitou o executivo camarária, pela realização atempada do Mês da Enguia e por manter este evento, importante para a promoção e divulgação do nosso concelho, no entanto, lamentou que as freguesias de Muge, Granho, e Glória do Ribatejo, não tenham sido incluídas no programa deste evento[ basta recorrer ao folheto do programa de actividades do Mês da Enguia, para constatar esta realidade]. De seguida, questionou a Sr. Presidente de Câmara sobre o oficio que enviou à Direcção Regional de Florestas, para saber o parecer desta, em relação ao abate de árvores ocorrido na Albufeira de Magos[ na última Assembleia- 30/12/11, este deputado, questionou a legalidade desta ocorrência]. A estas perguntas a Sr.Presidente de Câmara, respondeu, que o evento abrangia todas as freguesias, dando como exemplo, o passeio de BTT  que se vai realizar na Glória do Ribatejo no mês de Março, e que este evento, partia da iniciativa dos Restaurantes que aderiram ao Mês da Enguia, extrapolando de seguida com assuntos, que nada tinha a ver com a intervenção feita, pelo Deputado Municipal. Quanto ao abate de árvores na Albufeira de Magos, a Sr. Presidente, informou, que até ao momento não tinha recebido qualquer resposta/parecer da Direcção Regional de Florestas.
Durante este período, foi proposto pela Bancada do Bloco de Esquerda uma moção, para que o Projecto de Lei da Reforma da Administração Local, inclua obrigatoriamente, um referendo local, nos municipios onde haja modificações no seu delineamento territorial. Este moção, foi aprovada, pelo BE, PS, e CDU, absteve-se os eleitos do PSD. A este respeito, o Deputado Municipal José Domingos, afirmou que é  imperioso, que as populações sejam ouvidas neste processo, criticando simultaneamente a posição do PS neste tema[o PS afirmou, ser contra esta reforma da administração local], relembrando que este projecto lei, já vinha do governo anterior e a posição assumida pela CM-Lisboa, quanto a esta reforma local. Antes da ordem trabalhos, foi ainda, proposto pelo PSD a pedido da JSD de Salvaterra de Magos, uma moção para a implementação de um programa de partilha de manuais escolares[segundo esta proposta, que as famílias adquiram os manuais escolares, sendo posteriormente devolvido 75%  do custo total dos manuais, pela CM-Salvaterra de Magos, caso os manuais estivesse em bom estado para ser utilizados]. A este propósito, o Deputado Municipal José Domingos, concordou com a importância desta proposta, no entanto, estranhou, que esta proposta tenha vindo de um Partido, que actualmente tem cortado nos apoios sociais, nos transportes, nas escolas, apelidando esta proposta do PSD de carácter caritativo e cínica.

05 março 2012

Novo Romance de Domingos Lobo

Cartografia dos Ossos (Música sem Partitura) é o título de mais um romance do ficcionista e poeta, dramaturgo e ensaísta Domingos Lobo, que desta vez propõe uma incursão «pelos nubelosos caminhos dos fascismo», numa edição da Nova Vega.
«Um livro denso»-como refere no prefácio Urbano Tavares Rodrigues-, «perturbante, não raro cruel, sempre originalmente bem escrito, com um conhecimento profundo do ser humano e de todos os seus desvãos. A afirmação de um grande romancista, que era já um critico excepcional». 

in Jornal «Avante» de 23 de Fevereiro de 2012



Domingos Lobo, nasceu em Nagozela, freguesia de Santa Comba Dão, a 1 de Novembro de 1946.
Estudou teatro e literatura em Lisboa.
Tem publicados os livros:
  • "Os Navios Negreiros Não Sobem o Cuando", Editora Vega, 1993-1ª. edição, 2005-2ª. edição - Prémio de Ficção Cidade de Torres Vedras;
  • "Pés Nus na Água Fria", romance, Editora Vega 1997;2ª. edição, Editora Página a Página/2011
  • "Voos de Pássaro Cego", poesia, Editora Vega 1998;
  • "As Máscaras Sobre o Fogo", romance, Editora Vega 2000;
  • "As Mãos Nos Labirintos", poesia, Editora Sete Caminhos, 2003;
  • "Quando os Medos Ardem", teatro, Garridos Editores, 2003;
  • "Desconstrutor de Neblinas", textos de Leitura Crítica, Editora Comos 2004;
  • "As Lágrimas dos Vivos", contos, Editora Vega, 2005.
  • "Exaltação do Prazer" Antologia de Poesia Portuguesa Erótica, Burlesca e Satírica do Século XVIII - Vega/2007
*"Território Inimigo" - contos - Ed. Cosmos/2009
*"Cenas de Um Terramoto" - Teatro - Editora Fonte da Palavra/2010
*"Não Deixes que a Noite se Apague" - Teatro - Prémio Nacional de Teatro Bernardo Santareno/2009 - Edição Cosmos/2010
*"A Pele das Sombras" - Poesia - Ed. Fonte da Palavra/2011
*"CARTOGRAFIA DE OSSOS - Romance - Ed. Vega/2012'
Tem crítica literária publicada nas revistas "Vértice", "Seara Nova", "Escritor","Jornal do Brasil", "EntreLetras", "Foro das Letras","Revista Alentejo" e "As Artes Entre as Letras". Dirige o "SobreTábuas - Grupo de Teatro de Benavente".Prémio de Melhor Encenador/Festival de Teatro de Lisboa-1982. Escreve no Blog Conversas de Algibeira. É programador cultural na Câmara Municipal de Benavente.

in Wikipédia

José Domingos dos Santos é tambem Deputado Municipal eleito pela CDU na Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos.
A Comissão Concelhia do PCP congratula-se por mais um livro do Zé Domingos a quem desejamos votos de sucesso.

Alguns dos livros de Domingos Lobo estão disponiveis em: http://www.wook.pt/product/searchidautores/autor_id/12864/fsel/8066#

29 fevereiro 2012

Nova Direcção do AHBVSM.



Está finalmente resolvida a crise directiva que colocou em causa a operacionalidade da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos, nas últimas semanas. A nova direcção será presidida por Alírio Belchior, a que desejamos as maiores felicidades, nesta tarefa, tão importante e recompensante, como é, dirigir uma associação humanitária. Esperamos que esta Direcção, possa trabalhar num ambiente harmonioso, sereno e com o apoio de todos, para debelar os problemas financeiros que colocam em causa a operacionalidade e o futuro desta Associação.




Reformar para empobrecer a democracia local.



A proposta de lei reorganização administrativa aprovada pelo Conselho de Ministros mantém, ao contrário do  que se procura fazer crer, o essencial dos objectivos fixados pelo governo: a liquidação de 1/3 das freguesias hoje existentes.

Acobertada na ideia de um alegado recuo (traduzido na alteração dos critérios que constavam da versão inscrita no Livro Verde) o que a proposta agora aprovada visa é, não apenas a reafirmação dos objectivos que o governo prossegue mas, de facto, a consagração de um projecto ainda mais grave e perigoso.

2.
Como desde o primeiro momento alertámos, a questão decisiva a que se tem de dar combate não reside nos critérios, mas sim nos objectivos. Posicionamento que conduziu à orientação, comprovadamente justa, de recusar um debate aprisionado na bondade ou coerência dos critérios (distâncias, população, tipologias, etc) e de nos fixarmos na denúncia dos objectivos e consequências da ofensiva do governo, ou seja:
Empobrecimento democrático (traduzido na redução de mais de 20 mil eleitos); Ataque ao emprego público (milhares de trabalhadores das freguesias extintas cujo destino futuro será o despedimento ou a mobilidade); Enfraquecimento da afirmação, defesa e representação dos interesses e aspirações das populações que a presença de órgãos autárquicos assegura – cuja consequência será a do aprofundamento das assimetrias e perda de coesão (territorial, social e económica), o abandono ainda maior das populações, o acentuar da desertificação e da ausência de resposta aos interesses populares e à satisfação das suas necessidades.

3.
A proposta do governo, para a concretização dos mesmos objectivos, substitui agora o conceito de «critérios» pelo de «parâmetros». À luz deste documento:
i)       fixam-se quotas de redução que obrigatoriamente têm de ser concretizadas, e  que variam entre os 50% e os 55% para as freguesias existentes em «malha urbana» e entre os 25% e os 35% para as outras (em qualquer dos casos  conforme se localizem em municípios de nível 1, 2 ou 3).
ii)    Atribui-se a “competência” para decidir em concreto sobre a redução às assembleias municipais ou, dito com mais rigor, convidam-se os órgãos municipais a serem promotores directos da liquidação de freguesias em obediência ao que o governo previamente estabeleceu e determinou;
iii)   Cinicamente, atribui-se às assembleias de freguesia o poder de emitir pareceres que «quando conformes com os princípios e os parâmetros definidos no presente diploma»(!), devem ser ponderados pela assembleia municipal, ou seja pareceres que só contam se corresponderem a certidões de óbito adoptadas por iniciativa própria.



Com esta nova proposta todas as freguesias (e não apenas as que cabiam nos critérios anteriores), passam agora a ser teoricamente elimináveis. A “competência” dada aos órgãos municipais  – denominada de «pronúncia» no texto do diploma – é meramente teórica, dado que a decisão que viessem a tomar só seria levada em consideração se correspondesse aos objectivos de redução previamente decididos pelo Governo. A «pronúncia» a efectuar nos 90 dias subsequentes à aprovação da lei pela Assembleia da República, será examinada por uma “Unidade Técnica” criada no parlamento e poderá ser recusada caso não concretize os objectivos determinados. Nessas situações será esta comissão técnica que estabelecerá a nova organização administrativa dando mais 15 dias à assembleia municipal para se pronunciar de novo, e se o entender, apresentando projecto “alternativo” (desde que coincida naturalmente com os objectivos do governo).

Processo que se procura sustentado num processo de chantagem – direito a bónus de 15% de majoração para as freguesias “agregadas” –  que o Governo, e os partidos que apoiam a liquidação das freguesias, procurarão usar como elemento de pressão com base no cínico argumento de quem não se conformar com o processo não o impede, acaba extinto e condena as que vierem a ser agregadas no seu território a perder os 15% de majoração (válida para um mandato). Para lá do que política e eticamente este expediente representa, a verdade é que sendo (como parece claro do texto e do que já foi declarado) a majoração das liquidadas compensada à custa das que persistem, o saldo dos montantes disponíveis no território de um município não terá significativa diferença.


4.
Os argumentos usados para justificar esta ofensiva são falsos.
Ao contrário do «reforço da coesão» o que daqui resultará é mais assimetrias e desigualdades. Os efeitos dos processos de aglomeração são, como comprovadamente se conhece, adversos à coesão. Juntar os territórios mais fortes, mais ricos ou com mais população com os mais fracos ou menos populosos traduzir-se-á em mais atracção para os primeiros (os que sobreviverão como freguesias) e mais abandono dos segundos (os que verão as suas freguesias liquidadas). Ou seja mais abandono, menos investimento local, menos coesão para quem menos tem e pode.

Em vez de «ganhos de eficiência e de escala» que resultaria da «libertação de recursos financeiros» o que se terá é menos proximidade e resposta directa aos problemas locais com menos verbas e menos recursos disponíveis. No seu conjunto, o nível freguesias da administração local terá, de facto, menos verbas (o pacto de agressão prevê novo corte me 2013 dos montantes a distribuir ao poder local), as chamadas majorações (de 15%) para as freguesias “agregadas” sairão do montante global do FFF, ou seja serão retiradas ao montante destinado ao conjunto das freguesias; e mesmo as prometidas novas competências próprias das freguesias seriam  construídas financeiramente à custa das verbas dos municípios.


Em vez da enunciada «melhoria da prestação dos serviços públicos» proclamada no preâmbulo da proposta, resultarão centenas de novos territórios, muitos deles distantes dezenas de quilómetros da sede das novas freguesias, desprovidos do único espaço de proximidade capaz de lhe dar resposta mínima a um conjunto de solicitações e necessidades.

5.
Duas questões essenciais se colocam no plano da intervenção política:
i) O desenvolvimento das acções de luta e de oposição de cada uma das freguesias com base no esclarecimento e mobilização das populações;

ii) Assegurar, no maior número de concelhos, a recusa por parte dos órgãos municipais do seu envolvimento num processo que não só contribuiria para reduzir a resistência e o protesto, como faria deles cúmplices dos objectivos do governo, promotores directos da liquidação das freguesias e factores de libertação e ilibação, de facto e na prática, das responsabilidades políticas do governo.