O cancelamento da Feira de Magos e a reformulação apressada do Mês da Enguia estão a gerar forte preocupação e a dividir opiniões em Salvaterra de Magos. Se, por um lado, há quem compreenda a prioridade dada à reconstrução após as cheias, por outro, cresce a indignação perante a perda de um dos momentos mais importantes da vida económica, social e comunitária do concelho.
A CDU de Salvaterra de Magos considera que estas decisões são precipitadas e reveladoras de uma falta de coragem política, ao ter-se optado pela saída mais fácil: cortar nos eventos que dão vida, trabalho e rendimento ao território.
Num vídeo divulgado pela autarquia, a Sr.ª Presidente refere a existência de “danos grandes em muitas infraestruturas” e a necessidade de tomar decisões com base nos primeiros relatórios disponíveis. No entanto, os fenómenos meteorológicos extremos ainda estão a decorrer e só nos próximos dias será possível fazer um balanço rigoroso dos prejuízos. Agir de forma definitiva antes desse levantamento completo é precipitar decisões com impactos profundos na vida do concelho.
Municípios como Salvaterra de Magos não podem, nem devem, suportar sozinhos o peso da reconstrução. É indispensável exigir, com firmeza, apoios urgentes do Estado central e mobilizar todos os mecanismos nacionais e europeus disponíveis, em articulação com os restantes municípios afetados. Transferir os custos para a população, para os pequenos empresários, agricultores, artesãos e produtores locais é socialmente injusto e politicamente errado.
A Feira de Magos não é um luxo. É trabalho, rendimento, economia local, identidade e convívio popular. Para muitos pequenos negócios e produtores, representa uma fatia decisiva do seu rendimento anual. Cancelá-la significa travar a atividade económica local, reduzir oportunidades e fragilizar ainda mais quem já enfrenta dificuldades.
Em tempos de crise, é fácil e precipitado abater primeiro a cultura, o lazer e a vida comunitária. Mas esta opção penaliza sempre os mesmos. Uma resposta mais justa passaria por reformular o evento, reduzir custos com grandes contratações, apostar na «prata da casa», valorizar os artistas locais e regionais e voltar a reforçar seriamente a divulgação do setor agrícola, que tem vindo a perder espaço nos últimos anos. A população compreenderia esse esforço coletivo, mantendo-se os benefícios económicos e sociais para o concelho.
Também a reformulação do Mês da Enguia, anunciada a poucas semanas do seu início e sem esclarecimentos concretos, gera incerteza entre artistas, trabalhadores, associações e fornecedores, comprometendo o planeamento e a confiança.
A reconstrução é urgente e necessária, mas não pode ser feita à custa do trabalho, da economia local, da cultura popular e da vida comunitária.
O povo não pode pagar duas vezes.











































