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21 setembro 2025

CDU PRESTA CONTAS

Estivemos hoje de manhã no Mercado Mensal de Marinhais, em contacto com a população, a distribuir o documento Presta Contas, que sintetiza o trabalho autárquico realizado pelos nossos eleitos e activistas durante o mandato 2021-25.

A CDU é a única força política coerente e consistente no concelho de Salvaterra de Magos, a oposição séria e construtiva, que apresenta trabalho contínuo durante os quatro anos, não se limitando a aparecer para disputar eleições.





21 março 2025

Pavimentação da Rua do Vale Cilhão, em Marinhais, não cumpriu com os parâmetros técnicos de qualidade

A zona do Vale Cilhão em Marinhais, na parte nordeste da localidade, encaixada entre a via férrea, a EN367 e a A13, é aquela que mais está desprovida de equipamentos e infraestruturas da freguesia. Nesse sentido, a CDU saúda as recentes pavimentações efetuadas pelo município em alguns dos seus arruamentos, intervenções e investimentos significativos, há muito ansiadas pelos moradores.

No entanto, verificámos que a pavimentação, concluída há poucas semanas na Rua do Vale Cilhão, não cumpriu com os parâmetros técnicos de qualidade exigidos a uma empreitada desta envergadura. Circulando na estrada é facilmente visível a desagregação dos agregados junto às bermas e a sensação de estarmos sobre uma camada fina de betão betuminoso, vulgarmente designada por alcatrão.


Analisando as peças do procedimento da empreitada, disponíveis para consulta pública no site base.gov.pt, verificámos que para a estrutura do pavimento, foi prevista em projecto apenas uma camada de betão betuminoso, contrariando todas as boas práticas e normas correntes da pavimentação de estradas.

Se nada há a obstar em relação aos 30 centímetros da camada de tout-venant utilizada nas camadas de base e sub-base do pavimento – é uma espessura normal de compactação para estradas com estas características – merece-nos imensas dúvidas a solução implementada ao nível do betão betuminoso, que incluiu apenas a camada de regularização, excluindo a camada de desgaste. 

A camada de regularização é uma mistura betuminosa densa, aplicada entre as camadas de base e de desgaste, devendo contribuir para garantir uma boa regularidade superficial do pavimento e impermeabilizar as camadas inferiores. A camada de desgaste é, por norma, a camada superior do pavimento, caracterizando-se por ser pouco permeável, resistente à acção abrasiva do tráfego rodoviário e por apresentar uma espessura a rondar os 5 centímetros.

Ora, aplicando-se apenas camada de regularização, do tipo AC20, significa que os inertes existentes no betuminoso passam por uma abertura de peneiro igual a 20 milímetros, reduzindo-se assim a quantidade de betume, aumentando-se a rugosidade e a porosidade do pavimento e o índice de vazios dos inertes, não sendo assim por acaso que já se visualizam os inertes a desagregar nas faixas junto às bermas, conforme o registo fotográfico que obtivemos no local. A somar a tudo isto e face à reduzida espessura do betuminoso (apenas 6 centímetros) aumenta exponencialmente o risco a curto prazo do surgimento de depressões e abatimentos no pavimento, o que não é aceitável.    


Considerando que a área pavimentada na Rua do Vale Cilhão se cifrou em cerca de 12 mil metros quadrados e que o preço corrente cobrado pelos empreiteiros aos municípios no fornecimento e aplicação da camada de desgaste ronda os 10 €/m2, temos condições para concluir que o executivo do Município de Salvaterra de Magos poupou 120 mil euros ao não aplicar os parâmetros técnicos de qualidade exigidos à pavimentação de estradas.                            

Estando em final de mandato e a poucos meses das eleições autárquicas, terá ainda o actual executivo do PS condições para aplicar esse dinheiro na pavimentação ou repavimentações de arruamentos de pouca dimensão, comprometendo-se desde já a CDU a verificar as condições técnicas em que os mesmos serão executados. Não se deve “despejar alcatrão” nos finais de mandatos por motivos puramente eleitoralistas, ainda para mais nestes termos.

A garantia de uma empreitada com estas características é de 5 anos e, atendendo ao cenário já perfeitamente visível, temos sérias dúvidas que os encargos consequentes desta “habilidosa” solução técnica não terão que ser assumidos e reparados pelo próximo executivo do Município de Salvaterra de Magos.

Também a precipitação registada nos últimos dias levanta-nos sérias dúvidas sobre o sistema de drenagem de águas pluviais executado na Rua do Vale Cilhão, pois o mesmo esteve longe de funcionar devidamente, verificando-se o alagamento geral da estrada. Face a todo o exposto, não nos surpreende que o dimensionamento integral do sistema, com base no cálculo do caudal de ponta de cheia, tenha pecado por defeito, mais uma vez por motivos meramente económicos e não técnicos.

16 dezembro 2024

CDU vota contra o orçamento e plano plurianual de investimentos para 2025 da freguesia de Marinhais

Declaração de Voto: Orçamento e Plano Plurianual de Investimentos para 2025 (Sessão Ordinária de 12-12-2024 da Assembleia de Freguesia de Marinhais

 

- da análise crua aos números do Orçamento da freguesia para 2025 verificamos que, não obstante um crescimento de cerca de 22 mil euros, o valor global é de apenas 487 mil euros, montante irrisório para uma freguesia com mais de 6 mil habitantes e quase 39 km2 de área. São números que nos fazem corar de vergonha porque se torna praticamente impossível realizar investimentos dignos de registo sem financiamento e apoio externo, sejam eles municipais, através de fundos comunitários ou quadros de apoio;

 

- as despesas correntes com os trabalhadores e os membros do Executivo e da Assembleia de Freguesia rondam os 302 mil euros (cerca de 62 % do orçamento). Acrescendo a aquisição de bens e de serviços (combustíveis, seguros, comunicações e outros) temos +/- 102 mil euros (cerca de 24,5 % do orçamento). Só aqui temos cerca de 86,5 % do orçamento;

 

- sobra assim muito pouco para apoios a associações e colectividades (+/- 10 mil euros, 2 %) e apoios sociais (os mesmos +/- 10 mil euros, 2 %). Relativamente ao apoio ao movimento associativo torna-se cada vez mais premente a elaboração e aprovação de um regulamento que estabeleça critérios tangíveis, uniformes e de equidade para a concessão desses apoios, de modo a que ninguém saia prejudicado nem beneficiado. Relembramos que foi por proposta da CDU em 2013 que se aprovou o regulamento municipal de apoio ao associativismo na Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, que até aí não existia. Manifestamos a nossa disponibilidade para pegarmos nesse documento que apresentámos em 2013, adequá-lo à realidade de uma freguesia como a nossa, e submetê-lo a análise e discussão com as outras forças partidárias representadas nesta Assembleia de Freguesia, de forma a que seja possível a sua elaboração e aprovação no próximo ano, último do corrente mandato;

 

- valorizamos e não menosprezamos a gestão corrente do dia-a-dia. São coisas a que não damos grande significado numa perspectiva global de investimento e desenvolvimento de uma autarquia, mas são importantes para o quotidiano diário da freguesia e dos seus habitantes e rotinas. Marinhais tem uma rede viária enorme, parte significativa dela ainda por pavimentar, em terra batida, e é importante que os trabalhos de regularização e nivelação dessas vias seja garantido com regularidade, em especial durante a época das chuvas, sem esquecer outras situações prementes como os abatimentos em aquedutos que registámos no decorrer do presente ano, designadamente na Rua do Casal e da Estrada da Miranda, que trouxemos a este órgão e à Assembleia Municipal de forma a que fossem resolvidos atempadamente. A higiene e a limpeza urbana são outros elementos fundamentais que valorizamos;

 

- para o fim da nossa análise ficam os Investimentos. Basicamente é uma cópia do já previsto para 2022, 2023 e 2024, ou seja, estamos pelo 4.º ano consecutivo a apresentar praticamente o mesmo, significando que pouco ou nada foi feito. Verifica-se que há abertura de rúbricas para situações importantes, tais como sejam o projeto para o cemitério, requalificação do recinto das Festas e remodelação de jardins. Entretanto, o aqueduto da Rua dos Félix foi executado pela Câmara Municipal e saiu da lista, enquanto que a remodelação e ampliação do estaleiro da Junta de Freguesia foi substituída pelo arranjo e manutenção do edifício da junta de freguesia. No entanto, tal como nos anos anteriores, os valores inscritos são residuais o que significa que não há financiamento garantido para a execução desses objetivos, tendo que se esperar pelo aval e respetivo financiamento por parte da Câmara Municipal e do seu presidente. É manifestamente redutor estarmos a assistir a este cenário pelo quarto ano consecutivo. É tempo de concretizar estes objectivos! Numa primeira fase, em projecto naturalmente. Sem um projecto bem delineado e executado não se consegue concorrer a fundos comunitários (como o Portugal 2030), muito menos ver o seu financiamento aprovado. É tempo de o sr. presidente da Junta de Freguesia exigir junto da Câmara Municipal a articulação e desenvolvimento destas situações. Como é do conhecimento público, numa Assembleia Municipal realizada no final do ano passado, o sr. presidente da Câmara Municipal “chutou” estas responsabilidades para o sr. presidente da Junta de Freguesia.

 

- Há quantos anos foram abatidas as árvores do recinto das Festas? Mais de uma década? Incrivelmente nada se fez desde então, nem sequer o tão famigerado projecto de requalificação do recinto. O ringue tem quase 50 anos, foi construído após o 25 de Abril, voluntariamente, pelos jovens de então que praticavam Andebol e não tinham um campo digno para o fazer. O piso de cimento é o mesmo! Exigimos a sua requalificação com um pavimento adequado ao século XXI. Basta de inércia! É tempo de exigir respostas a quem de direito. Queremos um projecto concretizado no próximo ano. Queremos a implementação de políticas no território que contrariem os impactos das alterações climáticas. Em 30 anos o concelho de Salvaterra de Magos perdeu cerca de 75 % das florestas e das matas que o compunham. Marinhais não é excepção como bem sabemos. Temos um executivo municipal que, nos últimos onze anos, privilegiou a implantação de estátuas de carácter estético duvidoso e de arranjos urbanísticos com a implementação em pleno da cor cinza (pavês e calçadas) em detrimento da plantação de árvores. Cada vez mais serão frequentes longos períodos de seca e chuvadas intensas num curto espaço de tempo. Está mais do que na altura de o sr. presidente da Junta de Freguesia exigir a implementação de medidas à Câmara Municipal, já que os meios que tem ao seu dispor são diminutos, há que reconhecê-lo, tanto a nível orçamental, como em meios técnicos e recursos humanos. É um anacronismo autárquico que uma freguesia com a dimensão da nossa, tenha um orçamento tão baixo e tanta escassez de recursos humanos e técnicos. É lamentável que a freguesia de Marinhais receba, tal como no passado, apenas 152.400 € de transferência corrente da Câmara Municipal, valor inferior ao que recebe, por exemplo a freguesia de Glória do Ribatejo e Granho, à qual é transferido o valor de 174.960 €, com uma população bastante inferior. Não é que o valor transferido para os nossos vizinhos seja elevado, porque não o é, nem tão pouco queremos entrar em competição com as outras freguesias, mas a verdade é que é um valor muito abaixo daquilo que uma freguesia com a dimensão de Marinhais deveria receber. Se quisermos concorrer a fundos comunitários ou a qualquer outro programa ou quadro de financiamento temos que mandar fazer os projectos a privados ou pedir aos técnicos da Câmara Municipal, pois a Junta de Freguesia não tem qualquer técnico superior no seu quadro de trabalhadores. É tão simples quanto isto. Por tudo isto é também lamentável que, na referida sessão da Assembleia Municipal, o sr. presidente da Câmara Municipal, tenha “chutado” as responsabilidades de alguns destes investimentos para o sr. presidente da Junta de Freguesia de Marinhais. É mais do que tempo, vamos entrar no último ano de mandato, é imperioso, o sr. Cardoso exigir mais e melhores apoios e investimentos na freguesia ao sr. Esménio!

 

- Face ao exposto, designadamente no capítulo do PPI (Plano Plurianual de Investimentos) e pela sua repetição pelo 4.º ano consecutivo, concluímos de que não existem condições mínimas para a CDU viabilizar a proposta de orçamento para 2025. A CDU teve razão ao votar contra o Orçamento para 2024 pois, com excepção do aqueduto da Rua dos Félix, nada foi feito no que concerne aos Investimentos nele previstos. Não estamos assim disponíveis para viabilizar uma mera intenção de objectivos inscritos no PPI que depois não saem do papel pelo exposto anteriormente. Nesse sentido, o nosso voto contra é um voto político que tem como objectivo pressionar a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos para assumir as suas responsabilidades no apoio efectivo e real às justas aspirações da freguesia e da população de Marinhais. Em termos práticos, e caso o orçamento seja chumbado e fiquemos em regime de duodécimos, terá o executivo todas as condições para desenvolver os investimentos inscritos no PPI, pois os mesmos já se encontravam, a grosso modo, inscritos nos orçamentos anteriores.

 

12 de dezembro de 2024

 

Os eleitos da CDU na Junta e na Assembleia de Freguesia de Marinhais,

 

Joana Ferreira

Samuel Viegas

16 março 2024

A freguesia de Marinhais tem um problema crónico com árvores

Realizou-se na passada quarta-feira, dia 13 de Março, uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos. Entre os vários pontos da Ordem do Dia, incluíam-se protocolos de colaboração e apoio financeiro do município com as juntas de freguesia. Sobre Marinhais, a proposta a apresentar aos eleitos na AMSM resumia-se no seguinte:

Fotografia retirada do Google Maps, obtida em Julho de 2022

A Junta de Freguesia procedeu à reparação dos tractores e carrinhas, tendo necessidade de substituir os taipais e estruturas de reboque, bem como de substituir as janelas e estrutura exterior do salão da junta, que se encontra muito degradado. Procedeu ao corte de um pinheiro na Rua Narciso Santos, que se encontrava a prejudicar o pavimento, e denota aumento significativo com as despesas de combustíveis na manutenção das zonas verdes, dado o crescimento de urbanizações na vila. De modo a suportar a execução destes trabalhos, a Câmara Municipal comparticipa com 16 mil euros.

Os eleitos da CDU, João Abrantes e André Martins, questionaram o motivo da decisão de abater o pinheiro. 

Porque razão se optou pelo mais fácil em vez de se efectuar o "saneamento" da zona afectada da estrada - cortar pavimento betuminoso, "abrir caixa", cortar e retirar as raízes, preencher e compactar com agregado britado de granulometria extensa (tout-venant) e repavimentar com betuminoso - mantendo-se o imponente pinheiro que aparentava estar em boas condições fitossanitárias? Em complemento ao referido, poderia ainda ter-se aberto uma vala, no limite da estrada, de profundidade razoável, e ter-se enchido com betão, impedindo assim as raízes de, futuramente, avançarem para a estrada. 

Portanto, não faltam opções técnicas para lidar com problemas deste género, sem recorrer ao método extremo de eliminar árvores.  

Publicação retirada da página de Facebook da Freguesia de Marinhais

Posto isto, estamos perante mais um triste episódio do lamentável histórico da relação entre a freguesia de Marinhais e árvores. Desde o abate das árvores do recinto da Comissão de Festas em Dezembro de 2013 (conforme imagem que se junta - na altura foi informado à população que já existiam árvores para substituir as abatidas, mas ainda aguardam o famoso projecto de requalificação do recinto (*), que não há meio nem verbas de ser conhecido), passando pelas "podas assassinas" das poucas árvores em locais públicos que ainda resistem na freguesia, sem esquecer a não plantação de qualquer árvore na via pedonal recentemente requalificada na EN 367, desde o recinto da Comissão de Festas até ao limite urbano da freguesia, replicando, registe-se, o que já havia acontecido na requalificação da via pedonal da Várzea Fresca na EN 114-3, ao qual o sr. Presidente da CMSM, enquanto candidato num debate da rádio em Setembro de 2021 e quando confrontado pelo candidato da CDU, João Caniço, considerou estar muito bem feito, pois já existiam algumas árvores nos terrenos privados contíguos - uma boa parceria público-privada (PPP) "socialista", certamente.

Combater as alterações climáticas, manter e plantar árvores autóctones são expressões que não entram no léxico dos sucessivos executivos da Junta de Freguesia de Marinhais e do Município de Salvaterra de Magos. Relembre-se que, nas últimas três décadas, se registou a desflorestação em cerca de 75 % (3 mil hectares) das florestas e matas existentes no concelho. 


(*) Pelo terceiro ano consecutivo está aberta uma rubrica, com uma verba residual, sublinhe-se, no Orçamento e Plano Plurianual de Investimentos, da Junta de Freguesia de Marinhais, para a execução de um projecto de requalificação do recinto da Comissão de Festas. 

23 dezembro 2023

CDU vota contra o orçamento e plano plurianual de investimentos para 2024 da freguesia de Marinhais

Declaração de Voto: Orçamento e Plano Plurianual de Investimentos para 2024 (Ponto 6 da sessão ordinária de 21-12-2023 da Assembleia de Freguesia de Marinhais

- da análise crua aos números do Orçamento da freguesia para 2024 verificamos que o valor global é de apenas 465 mil euros, montante irrisório para uma freguesia com mais de 6 mil habitantes e quase 39 km2 de área. São números que nos fazem corar de vergonha porque se torna praticamente impossível realizar investimentos dignos de registo sem financiamento e apoio externo, sejam eles municipais, através de fundos comunitários ou quadros de apoio;

- as despesas correntes com os trabalhadores e os membros do executivo e da Assembleia de Freguesia rondam os 275 mil euros (cerca de 61 % do orçamento). Acrescendo a aquisição de bens e de serviços (combustíveis, seguros, comunicações e outros) temos +/- 102 mil euros (cerca de 22 % do orçamento). Só aqui temos 83 % do orçamento;

- sobra assim muito pouco para apoios a associações e colectividades (+/- 10 mil euros, 2,2 %) e apoios sociais (+/- 15 mil euros, 3,2 %). Relativamente ao apoio ao movimento associativo torna-se cada vez mais premente a elaboração e aprovação de um regulamento que estabeleça critérios tangíveis e uniformes para a concessão desses apoios, de modo a que ninguém saia prejudicado nem beneficiado. Relembramos que foi por proposta da CDU em 2013 que se aprovou o regulamento municipal de apoio ao associativismo na Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, que até aí não existia. Manifestamos a nossa disponibilidade para pegarmos nesse documento que apresentámos em 2013, adequá-lo à realidade de uma freguesia como a nossa, e submetê-lo a análise e discussão com as outras forças partidárias representadas nesta Assembleia de Freguesia, de forma a que seja possível a sua elaboração e aprovação no próximo ano;

- valorizamos e não menosprezamos a gestão corrente do dia-a-dia. São coisas a que não damos grande significado numa perspectiva global de investimento e desenvolvimento de uma autarquia, mas são importantes para o quotidiano diário da freguesia e dos seus habitantes e rotinas. Marinhais tem uma rede viária enorme, boa parte dela ainda por pavimentar, em terra batida, e é importante que os trabalhos de regularização e nivelação dessas vias seja garantido com regularidade, em especial durante a época das chuvas. A higiene e limpeza urbana são outros elementos fundamentais que valorizamos;

- para o fim da nossa análise ficam os Investimentos. Basicamente é uma cópia do já previsto para 2022 e 2023, ou seja, estamos pelo 3.º ano consecutivo a apresentar praticamente o mesmo, significando que nada foi feito. Verifica-se que há abertura de rúbricas para situações importantes, tais como sejam o projeto para o cemitério, requalificação de vias pedonais, requalificação do recinto das Festas, remodelação e ampliação do estaleiro da Junta de Freguesia ou o aqueduto da Rua dos Félix. No entanto, os valores inscritos são residuais o que significa que não há financiamento garantido para a execução desses objetivos, tendo que se esperar pelo aval e respetivo financiamento por parte da Câmara Municipal e do seu presidente. É manifestamente redutor estarmos a assistir a este cenário pelo terceiro ano consecutivo. É tempo de concretizar estes objectivos! Numa primeira fase, em projecto naturalmente. Sem um projecto bem delineado e executado não se consegue concorrer a fundos comunitários (como o PRR ou o Portugal 2030), muito menos ver o seu financiamento aprovado. É tempo de o sr. presidente da Junta de Freguesia exigir junto da Câmara Municipal a articulação e desenvolvimento destas situações. Como é do conhecimento público, numa recente Assembleia Municipal, o sr. presidente da Câmara Municipal “chutou” estas responsabilidades para o sr. presidente da Junta de Freguesia.

- Há quantos anos foram abatidas as árvores do recinto das Festas? Uma década? Incrivelmente nada se fez desde então, nem sequer o tão famigerado projecto de requalificação do recinto. O ringue tem quase 50 anos, foi construído após o 25 de Abril, voluntariamente, pelos jovens de então que praticavam Andebol e não tinham um campo digno para o fazer. O piso de cimento é o mesmo! Exigimos a sua requalificação com um pavimento adequado ao século XXI. Basta de inércia! É tempo de exigir respostas a quem de direito. Queremos um projecto concretizado no próximo ano. Queremos a implementação de políticas no território que contrariem os impactos das alterações climáticas. Em 30 anos o concelho de Salvaterra de Magos perdeu cerca de 75 % das florestas e das matas que o compunham. Marinhais não é excepção como bem sabemos. Temos um executivo municipal que, nos últimos dez anos, privilegiou a implantação de estátuas de carácter estético duvidoso, em detrimento da plantação de árvores. Cada vez mais serão frequentes longos períodos de seca e chuvadas intensas num curto espaço de tempo. Está mais do que na altura de o sr. presidente da Junta de Freguesia exigir a implementação de medidas à Câmara Municipal, já que os meios que tem ao seu dispor são diminutos, há que reconhecê-lo, tanto a nível orçamental, como em meios técnicos e recursos humanos. É um anacronismo autárquico que uma freguesia com a dimensão da nossa, tenha um orçamento tão baixo e tanta escassez de recursos humanos e técnicos. É lamentável que a freguesia de Marinhais receba apenas 152.400 € de transferência corrente da Câmara Municipal, valor inferior ao que recebe, por exemplo a freguesia de Glória do Ribatejo e Granho, à qual é transferido o valor de 174.960 €, com uma população bastante inferior. Não é que o valor transferido para os nossos vizinhos seja elevado, porque não o é, nem tão pouco queremos entrar em competição com as outras freguesias, mas a verdade é que é um valor muito abaixo daquilo que uma freguesia com a dimensão de Marinhais deveria receber. Se quisermos concorrer a fundos comunitários ou a qualquer outro programa ou quadro de financiamento temos que mandar fazer os projectos a privados ou pedir aos técnicos da Câmara Municipal, pois a Junta de Freguesia não tem qualquer técnico superior no seu quadro de trabalhadores. É tão simples quanto isto. Por tudo isto é também lamentável que, numa recente Assembleia Municipal, o sr. presidente da Câmara Municipal, tenha “chutado” as responsabilidades de alguns destes investimentos para o sr. presidente da Junta de Freguesia de Marinhais. É mais do que tempo, é imperioso, o sr. Cardoso exigir mais e melhores apoios e investimentos na freguesia ao sr. Esménio!

- Face ao exposto, designadamente no capítulo do PPI (Plano Plurianual de Investimentos) e pela sua repetição pelo 3.º ano consecutivo, concluímos de que não existem condições mínimas para a CDU viabilizar a proposta de orçamento para 2024. A CDU não está assim disponível para viabilizar pelo 3.º ano consecutivo uma mera intenção de objectivos inscritos no PPI que depois não saem do papel pelos motivos referidos anteriormente. Nesse sentido, o nosso voto contra é um voto político que tem como objectivo pressionar a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos para assumir as suas responsabilidades no apoio efectivo e real às justas aspirações da freguesia e da população de Marinhais. Em termos práticos, e caso o orçamento seja chumbado e fiquemos em regime de duodécimos, terá o executivo todas as condições para desenvolver os investimentos inscritos no PPI, pois os mesmos já se encontravam inscritos nos orçamentos anteriores.


21 de dezembro de 2023

Os eleitos da CDU na Junta e na Assembleia de Freguesia de Marinhais,

Joana Ferreira
Vasco Neves (em regime de substituição de Samuel Viegas)

29 setembro 2023

Moção pela defesa do direito constitucional à Habitação

MOÇÃO

Exigir do governo medidas para reduzir o valor das rendas e das prestações ao banco e
assegurar o direito constitucional à Habitação

Os problemas relacionados com a Habitação assumem uma dimensão a exigir medidas que travem a dinâmica especulativa a que está submetida e que recentrem no Estado a responsabilidade e os meios de um vasto programa de promoção pública da habitação. 

Medidas que precisam de enfrentar os interesses dos fundos imobiliários e a usura do capital financeiro, em particular da Banca, que, para além de especular com os valores das habitações, acumula lucros imensos à sombra dos sucessivos aumentos das taxas de juro decretados pelo BCE e das dificuldades de centenas de milhar de famílias. 

Medidas que para lá das respostas mais imediatas e inadiáveis garantam uma resposta pública eficaz e indispensável à regulação do sector.

Estas medidas não se encontram no chamado pacote “Mais Habitação”. Este, tal como anteriores programas do Governo, não assegura nem o forte investimento público nem a regulação de um sector que está hoje capturado pelos grandes interesses que dominam o mercado. Não basta criar ilusões em torno dos milhões do PRR. Não é sério praticar a desresponsabilização do Estado através de acordos de colaboração com os municípios, procurando remeter para estes a solução de um problema que precisa de uma resposta coerente e eficaz em todo o território nacional.

Sem prejuízo do papel que o Poder Local e em particular os municípios, são chamados a assumir, a dimensão do problema da Habitação é inseparável da assumpção pelo Estado das responsabilidades que lhe cabem designadamente na promoção de oferta pública por via de um robusto investimento que se mantém ausente ano após ano.

A Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos reunida em sessão ordinária a 28 de setembro de 2023 delibera:

 Reclamar a adopção de medidas que permitam enfrentar o aumento insuportável das prestações com aquisição de habitação própria, impondo a redução do valor das prestações, assegurando que os bancos suportam com os seus lucros o aumento das taxas de juro, a par da implementação de uma moratória que isente de pagamento a parcela de capital;

 Exigir do Governo uma intervenção visando a descida do valor das rendas, assegurando desde logo a fixação de um limite ao aumento das rendas de casa (incluindo para os novos contratos que venham a ser celebrados no próximo ano) fixando-o em 0,43% em vez dos cerca de 7% que decorrerão da aplicação automática dos critérios em vigor, bem como, o alargamento da duração mínima e a estabilidade dos contratos;

 Exigir do Governo as acções necessárias à concretização da resposta ao levantamento de carências habitacionais inscritas na Estratégia Local de Habitação do município, mobilizando os recursos financeiros correspondentes;

 Apelar à participação das populações nas acções convocadas para o próximo sábado, dia 30, em defesa do direito à Habitação, designadamente, e pela proximidade geográfica, em Samora Correia.


Os eleitos da CDU na Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos,

João Abrantes
André Martins

(A moção apresentada pela CDU foi rejeitada com os votos contrários do PS, PSD, CDS e Ch. Apenas o BE votou favoravelmente)

28 abril 2023

Moção - Comemorar Abril, afirmar e valorizar o poder local democrático


Com o 25 de Abril revolveu-se a vida no País e, por isso mesmo, não há faceta ou pormenor que o resumam – a revolução foi, no seu desabrochar imediato, uma explosão de liberdade, é certo, mas que não perduraria se, de imediato nuns casos, noutros a breve trecho, não imprimisse em todos os demais aspectos da vida a marca que lhe garantiu e garante sustentação.

Às operações programadas e depois executadas, na madrugada, pelos Capitães de Abril (grupo de militares em que predominava a patente de capitão) e que desarmaram o regime opressor, associou-se a manhã de ruas e praças de gente, pessoas que ali e então se sentiram verdadeiramente cidadãos, com o poder efetivo de mudar o rumo do seu País.

E, gritando, exprimiram livremente o que pensavam.

Liberdade de pensamento e de expressão sim, mas também liberdade de organização e de luta. Luta por mais pão, luta por saúde, educação e justiça para todos. Com avanços e recuos, melhores ou piores resultados, mas sempre em confronto com as ideias e as práticas do passado e quase sempre em rutura total com elas.

Assim, comemorar Abril exige afirmar o que a Revolução representa e expressa enquanto processo libertador com profundas transformações na sociedade portuguesa e um dos mais altos momentos da vida e da história do povo português e de Portugal.

Comemorações em que é imperativo não deixar submergir o que ela foi e representou na avalanche interpretativa dos que lhe negam a sua natureza, alcance e características ímpares.

Celebrar Abril é evidenciar o que foi o fascismo e combater o seu branqueamento, é destacar a luta anti-fascista, pela liberdade e a democracia. Celebrar Abril é assinalar o seu sentido transformador e revolucionário, não rasurar a memória colectiva que o envolve, afirmar o caminho que o tornou possível, rejeitar as perversões e falsificações históricas, denunciar os que o invocam para o amputar do seu sentido mais profundo, sublinhar o que constitui hoje de valores e referências para um Portugal desenvolvido e soberano que décadas de política de direita têm contrariado.

Por mais que reescrevam, Abril foi uma revolução, não uma “evolução” ou “transição” entre regimes, um momento e um processo de ruptura com o regime fascista, o derrube do fascismo e do que o suportava.

Abril foi possível porque é fruto de uma longa resistência antifascista, de uma abnegada dedicação à luta pela democracia e liberdade de comunistas e de outros democratas, de uma intensa luta de massas da classe operária, da juventude, do povo.

Comemorar Abril, é assinalar e afirmar o Poder Local democrático como uma das suas conquistas. Abril foi e é um processo libertador desde logo ao desmantelar e substituir os centros de poder em que a força e a acção do passado fascista assentavam.

Foi pela acção revolucionária e transformadora das populações que o aparelho fascista de administração local foi substituído por órgãos de poder provisórios, legitimados pelas populações, e, consequentemente, se desenhou um poder autónomo novo que veio a merecer consagração na Constituição da República.

Comemorar Abril é defender e valorizar o poder local hoje ameaçado, pelo subfinanciamento, pela sua descaracterização por via da transferência de encargos, pela ingerência tutelar, pela instrumentalização que o reconduz, em parte, a mero executor técnico das opções de terceiros.

Comemorar Abril é exigir que se cumpra a Constituição e o que ela consagra e determina quanto à criação de regiões administrativas completando assim o edifício do poder local com o nível regional a par dos municípios e freguesias que está por cumprir.

Comemorar Abril é devolver ao povo as freguesias liquidadas contra a sua vontade, repondo a proximidade, participação e representatividade que elas materializam.

O Poder Local Democrático continua vivo e com energia bastante para resistir e se regenerar se essa for a vontade dos que, nos seus órgãos, se dedicam à causa pública e se souberem juntar-lhe as mil vontades dos cidadãos que representam.


A Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos, reunida em sessão ordinária a 26 de Abril de 2023, delibera:

- Saudar o 49.º aniversário do 25 de Abril e o inestimável património de transformações económicas, sociais, culturais e políticas que o materializam;

- Reafirmar o espírito de serviço público que, há 49 anos, animou aqueles que tomaram nas suas mãos a condução das políticas locais a benefício das populações e cuja ação deixou marca indelével no Poder Local;

- Defender o Poder Local Democrático, a sua autonomia e capacidade de realização, reafirmando Abril em cada dia de trabalho e de luta;

- Exigir a criação das regiões administrativas sem mais delongas e processos dilatórios;

- Dar concretização ao processo de reposição das freguesias liquidadas.

- Exortar a que os órgãos representativos da autarquia promovam um programa de iniciativas dirigida às comemorações dos 50 anos da Revolução de Abril, envolvendo a participação das forças vivas do concelho, que contribua para afirmar os valores de Abril e as suas conquistas e transmitir às novas gerações o que ela representou de acto de emancipação, democracia e liberdade.

27 abril 2023

Intervenção da CDU na Sessão Solene da Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos no âmbito das Comemorações do 49.º Aniversário da Revolução do 25 de Abril


 O dia 25 de Abril de 1974 foi, para todos nós, o tempo de acreditar.

Acreditámos num país novo e livre do monstro fascista, sisudo e cinzento, que durante 48 anos, nos reprimiu, explorou e humilhou, fazendo de Portugal um dos países mais pobres e atrasado da Europa.

Foi neste dia que acreditámos em:

  • um país com igualdade de oportunidades;
  • com direito à habitação digna para todos;
  • com direito ao trabalho e à livre associação política e sindical;
  • com direito à protecção social;
  • que sentar-se frente a um médico para se ser consultado deixava de ser privilégio de poucos, os abastados do regime;
  • que a educação passava a ser um direito de todos, e que as capacidades e escolhas seriam o único factor a ditar o grau de escolaridade de cada um de nós;
  • com direito de acesso à justiça, da igualdade perante a lei, independentemente da condição social e económica;
  • e, finalmente, que iria terminar aquela guerra terrível e injusta, em nome de uma mais páginas mais negras da nossa história, o colonialismo, que vitimou mais de 8 mil jovens portugueses e ceifou a vida a muitos milhares de nativos que lutavam pelo legítimo direito à soberania e independência dos seus povos e territórios. Tudo para proteger as obscenas fortunas dos amigos de Salazar e Caetano.

Passados que estão 49 anos desse grande “Dia da Liberdade” para os democratas e do “Dia do Acidente” para alguma direita e para a extrema-direita, percebemos e acompanhamos a frustração que sentem todos aqueles que já nasceram livres e em democracia, e com tantas promessas por cumprir.

Quanto à igualdade de oportunidades, temos um país sem rumo, minado pela corrupção, pelo compadrio, pela promiscuidade, pela subordinação do poder político ao poder económico. Se dúvidas existissem, vejamos o exemplo que, só nos últimos nove meses do governo de maioria absoluta e obsoleta, aconteceram 12 demissões de governantes, que já eram, na sua maioria, segundas e terceiras escolhas, envolvidos muitos deles em escândalos de corrupção, de favorecimentos e de incompatibilidades, que em Portugal se passaram pomposamente a chamar de “casos e casinhos”. Já para não falar daqueles que aguardam o veredito da justiça e que continuam como lapas agarrados ao tacho.

Um tecto digno para cada português, promessa feita vezes sem conta durante mais de quatro décadas pelos sucessivos governos PS-PSD-CDS e as únicas casas que têm crescido são as de cartão, geralmente construídas nos jardins públicos, nos átrios dos prédios e nas estações de metro. Só na cidade do Porto são mais de 700 os habitantes destas casas. A primeira figura institucional do país, o Presidente da República, prometeu acabar com este flagelo até final do mandato. Aguardemos bem sentados.

Veja-se o recente caso da trapalhada do projeto de lei do PS denominado “Mais Habitação” que, apesar de não ter passado de um mero conjunto de intenções, tinha um ou dois aspectos positivos. Rapidamente a direita e a extrema-direita apelidaram essas medidas de “comunistas”, quando até eram situações previstas e vigentes na nossa legislação, aprovadas durante o governo de Passos Coelho. “Portugal vai ser a nova Venezuela” grunhiam liberais e neofascistas. Coitados, não podiam ter feito pior escolha, pois apesar dos duríssimos boicotes e sanções que são impostos ao povo venezuelano pelo capitalismo norte-americano, o estado socialista venezuelano implementou em Maio de 2011, por iniciativa do governo de Hugo Chávez, o programa social “Grande Missão Habitação Venezuela” com o objectivo de enfrentar a abordagem especulativa e capitalista do sector privado ao direito à habitação, e, dessa forma, garantir a pessoas de baixos recursos uma casa digna e o acesso a serviços básicos. No ano passado, em Abril de 2022, foi atingido o número 4 milhões de habitações construídas e entregues. O objectivo passa por chegar aos 5 milhões em 2025 e resolver definitivamente o problema das favelas juntos aos grandes centros urbanos. São notícias e informações que não passam nos nossos meios de comunicação social dominantes, vá-se lá perceber porquê.

Não somos ingénuos para achar que a direita agiu na ignorância. É apenas má fé e por sabermos que em tudo aquilo que é básico e que deva ser garantido como um direito inalienável ao ser humano, Saúde, Educação, Habitação, Trabalho ou Paz, a Direita encara a questão como uma oportunidade de negócio e obter o máximo de lucro. Não há nada mais claro e transparente do que isto. E, temos pena, de que os 50 anos de história do PS são, no essencial, 50 anos de traição às classes populares e trabalhadoras de esquerda que nele votam. O PS conspurca o conceito de “SOCIALISMO”! Qualquer documento programático do PS ao longo da história contém retórica de esquerda, e, quando no governo, rapidamente se esfuma e caminha a passos largos para a direita. Quem não se lembra em Outubro de 2021 do “Orçamento Mais à Esquerda de Sempre”? Afinal, os motivos que PCP, PEV e BE invocaram para votar contra o OE 2021 estavam todos correctos! A adesão a Maastricht e ao Euro, a subordinação a Washington, Berlim e Bruxelas, o abdicar da soberania nacional em nome de um feroz neoliberalismo federalista, torna o PS num partido idêntico ao PSD no plano da política económica.

Ter saúde é o maior e principal desejo de qualquer cidadão. No Portugal fascista só uma pequena percentagem de pessoas tinha acesso à saúde, os privilegiados do regime, ao povo restava-lhe as mesinhas caseiras ou a morte. Com 1 milhão e 600 mil portugueses sem médico de família, com o ódio que a direita e a extrema-direita têm ao Serviço Nacional de Saúde, com o desinvestimento e falta de financiamento crónico do mesmo, apesar de ter aumentado e muito os gastos com a Saúde, só que esse dinheiro vai direitinho para os bolsos dos mercantilistas da Saúde, ou seja, para a medicina privada, que transformam utentes em clientes, através de PPP’s, acordos vários ou exames prescritos pelo SNS. Cerca de 40 % do orçamento para a Saúde destinam-se aos bolsos dos privados. Como está tudo interligado, depois não há dinheiro para contratar médicos de família, nem para manter abertos em contínuo os serviços de urgência de várias especialidades nos hospitais públicos.

Como temos um país com cerca de 2 milhões de pobres e outros 2 milhões no limiar da pobreza, que só não o são graças aos resquícios do Estado Social que ainda resiste, parte significativa da nossa população não só não consegue aceder aos serviços médicos, como tem cada vez maior dificuldade em adquirir os medicamentos prescritos. Se nada for feito caminhamos a passos largos para o tempo vivido até há quase 50 anos.

Sim, pobres que não têm o suficiente para viver com dignidade é efetivamente pobre, e não é pelo facto de a direita ter a consciência pesada e como habitualmente socorrer-se da novilíngua liberal, através do eufemismo “insuficiência económica”, na mesma linha do “colaborador” em vez de trabalhador, da “resiliência” em vez de resistência, do “empreendedor” em vez de patrão, ou da “não renovação” em vez de despedimento. Um povo que vive de complementos, de vouchers, de remendos sociais, do assistencialismo, da caridadezinha, não é um povo livre nem digno do Portugal de Abril. Sem esquecer ainda que grande parte desses apoios sociais não chegam ao destino, tamanha é a dificuldade burocrática. Ao invés, para dar milhões aos amigos, através de fundos e subsídios comunitários, perdoar enormes dívidas bancárias, há sempre facilidades.

A Justiça é a par da Saúde outro direito que com o 25 de Abril acreditávamos que todos poderíamos ter acesso. Puro engano. Cada vez mais a Justiça é coisa para ricos, onde os pobres são castigados severamente ao mais pequeno delito e os ricos vivem de recursos e contra-recursos até a coisa prescrever. Se um cidadão falhar o pagamento de qualquer taxa ou imposto, o mesmo é agravado numa sucessão de coimas. Mas se for, por exemplo, o senhor do Pingo Doce, aquele que ganha mais 263 vezes do que o seu trabalhador médio, se recusar a pagar uma multa de 35,7 milhões de euros por cartelização e fixação ilegal de preços, nada, rigorosamente nada lhe acontece. Aliás, até acaba por aparecer, todo feliz sorridente, ao lado do primeiro-ministro, enquanto este, qual fiscal da ASAE, verifica os preços e o “incrível” IVA 0 num dos seus supermercados.

Chega a ser confrangedor o esforço que os dirigentes do PS fazem para parecer distantes da direita e da extrema-direita, mas é só a aparência, porque na Assembleia da República, nas questões essenciais e de fundo, sempre que estão em causa votações que podem aliviar o sofrimento do povo e dos trabalhadores, como por exemplo, no controlo e regulação dos preços dos bens essenciais (medida que tem vindo continuamente a ser proposta pelo PCP há mais de um ano!) ou a taxação dos  lucros extraordinários e da especulação, vemo-los invariavelmente a chumbar essas propostas ao lado de liberais e neofascistas. Afinal, o mercado livre e liberalizado tem de funcionar sempre!

A eliminação do IVA em 46 dos produtos mais utilizados na nossa alimentação é mais uma trapalhada à PS cujo resultado final vai ser uma mão cheia de nada. Mas ainda mais ridículo nesta matéria é a posição do líder do PSD ao propor o controlo da espiral inflacionista através da diminuição do IRS, medida que só iria beneficiar as classes mais altas, na linha daquilo que Moedas fez em Lisboa, ao prescindir de 42 milhões de euros do IRS, que foram, em mais de metade desse valor para os bolsos dos 10 % mais ricos do município, enquanto que os 50 % mais pobres receberam apenas 3 %, também porque parte significativa nada recebeu pois não tem rendimentos suficientes sequer para pagar IRS. Pois é, a direita está sempre disponível em baixar os impostos aos mais ricos e a penalizar os mais pobres. Quem não se lembra da fantástica proposta do “tax flat” de 15 % para todos sugerida pela IL.

Não menos confrangedor é o esforço que a direita fez para sacudir a água do capote na trapalhada em que a TAP se transformou, tentando fazer com que não nos lembrássemos que foi um governo de direita, em gestão, derrotado nas urnas, que ofereceu ao sr. Niellman e amigos uma empresa de bandeira e com prestígio, sem que para tal tivessem de investir um único cêntimo. Para se irem embora o governo PS ainda lhes ofereceu 55 milhões de euros. Quando a Esquerda apoiou a nacionalização e defende a sua manutenção como empresa pública, é para evitar a sua liquidação, pois bem sabemos o que aconteceu no BPN, BES, BANIF ou BPP, onde quando houve lucros estiveram na linha da frente, em bicos de pés, a reclamarem dividendos, mas após a sua gestão ruinosa, acrescida da conjuntura internacional, a empresa fica em dificuldades é vê-los a agitar o espantalho do desemprego, a porem-se ao fresco, e o Estado que resolva. Com tudo isto, os devaneios e a irresponsabilidade dos privados na banca e na TAP já custaram aos portugueses mais de 10 mil milhões de euros.

O que a Esquerda não fez com o seu apoio à decisão do governo PS, foi que este fizesse da TAP um depósito de adidos e um campo de batalha para as suas guerrinhas político-partidárias, com o dinheiro dos contribuintes a voar em chorudas indemnizações e outras irresponsabilidades.

Fruto de políticas erradas de natalidade levadas a cabo pelos sucessivos governos PS-PSD-CDS, estamos hoje a braços com um gravo défice demográfico, que nos obriga a importar mão-de-obra, não qualificada, para vários sectores. Um país que tem cerca de 2 milhões de emigrantes espalhados pelo mundo, devia corar de vergonha pela forma como recebemos e tratamos aqueles que escolhem Portugal para continuarem pobres a trabalhar, muitas vezes fugindo de situações de guerra e miséria extrema. Ainda recentemente, no monte Sabino, no Algarve, 134 seres humanos viviam num barracão sem qualquer tipo de condições de higiene e salubridade a troco de 13400 € mensais por um espaço que nem para animais seria digno. A direita e a extrema-direita apressaram-se a dizer que um contrato de trabalho seria a solução milagrosa para o problema, como se um simples papel tornasse certos e determinados patrões pessoas sérias, cumpridoras e humanas, e que combatessem as máfias instaladas. Nada dizem sobre os lucros obscenos e a exploração da miséria alheia que fazem parte do seu DNA.

Esquecem-se das centenas de milhares de portugueses que, nas décadas de 60 e 70, fugiram do país, da guerra colonial, da fome e da miséria, a salto, chegando aos países de acolhimento sem qualquer visto, contrato de trabalho, passaporte ou outro “papel”. Só queriam dignidade e trabalho justo remunerado.

Pelas razões que invocámos, queremos que fique bem claro, que da mesma forma que o PCP sempre lutou e nunca se vergou à tirania fascista, também hoje não vamos acreditar em fatalismos e retrocessos históricos, pois com o povo e os trabalhadores vamos lutar para que o 25 de Abril tenha valido a pena e o povo tem vindo a dar mostras nos últimos tempos através de grandes jornadas de luta, de manifestações e graves, em inúmeros sectores, de que está disponível e motivado para essa luta, por uma vida digna, contra os ventos populistas, xenófobos e ultraliberais que sopram da Europa.

Celebramos a presença de Lula da Silva entre nós para estas comemorações, representante da luta dos trabalhadores contra a ditadura militar brasileira, da derrota da direita populista sul-americana e da vitória da esquerda popular. Repudiamos a arrogância dos “porteiros do 25 de Abril”, aqueles que odeiam a data, adoram sim o 25 de novembro, e tudo fazem para o controlar, deturpar e denegrir. Primeiro era a corrupção, apesar de Lula ter sido considerado inocente e ilibado de todas as acusações pelo sistema judicial brasileiro, revogando a gritante parcialidade do juiz justiceiro Sérgio Moro. Agora é ter a ousadia de falar da Paz em vez de guerra e mais armas, suportando posições consistentes e factuais, bastante semelhantes, por exemplo, às do papa Francisco e do PCP.

Por mais voltas democráticas que queiramos dar às coisas, e por mais democráticos que todos queiram ser ou parecer, há uma coisa que não pode nunca ser esquecida: o 25 de Abril de 1974 foi uma revolução de Esquerda!

O 25 de Abril foi para todos, mas não é de todos. Não é de quem nunca o quis, de quem o ataca e se empenha para que Abril não se cumpra. Celebramos o fim da noite fascista, de miséria, prisões, analfabetismo, torturas, morte, colonialismo e guerra. Celebramos o SNS, a Escola Pública, o direito ao Trabalho, à Habitação, à Paz, à Protecção Social, ao Desporto, à Cultura, à Justiça.

Viva a Liberdade.

Viva o 25 de Abril.

Viva Portugal.

17 dezembro 2022

CDU vota contra aumento de taxas e licenças na união de freguesias de Glória do Ribatejo e Granho

 DECLARAÇÃO DE VOTO

A CDU não pode deixar de manifestar a sua oposição a esta proposta de aumentos da Tabela de Taxas e Licenças previsto para o ano de 2023. Num ano em que a inflação tem subido em todos os níveis, atingindo valores incomparáveis, nomeadamente na alimentação, energia, combustíveis e nas prestações do crédito á habitação, inflação esta que não é acompanhada pelo aumento justo e necessário dos salários e das pensões, não podemos deixar de manifestar a oposição e o desagrado por esta proposta do executivo.


Podem ser valores simbólicos ou insignificantes para muitos, e para alguns dos que aqui estão, mas para a grande maioria, nomeadamente os mais idosos e outras pessoas com dificuldades financeiras, qualquer euro a mais faz diferença no seu orçamento familiar.

As taxas e licenças que o executivo propõe aumentar, sobretudo nas licenças de canídeos e mais ainda nas taxas de limpeza de fossas, onde se propõe aumentos de 50 % e de 100 %, tratam-se de serviços que são, e bem, da competência da própria Junta de Freguesia e sobre os quais cobra uma taxa. Quem paga esta taxa são, na maioria, pessoas e famílias que habitam em zonas que não tem saneamento básico, e muitas vezes em ruas por asfaltar. 

(Aqui o que deveria haver, eventualmente, era uma maior fiscalização por parte da GNR do Ambiente (SEPNA) e/ou da Câmara Municipal, nos casos de não esvaziamento das fossas e de despejarem as mesmas para valas e terrenos).

Mas, e acima de tudo, é um sinal negativo que o executivo está a dar, a função da Junta de Freguesia não é a de um agente económico como uma empresa. Os valores que estas rubricas significam no Orçamento apresentado andam à volta de 1%, residual. Por outro lado, é-nos apresentado hoje um valor de disponibilidades da União de Freguesias de aproximadamente 200 mil euros.

Não se compreende a necessidade e o objectivo destes aumentos, e face aos motivos apresentados votaremos contra!


Glória do Ribatejo, 15 de Dezembro de 2022

A eleita da CDU na União de Freguesias de Glória do Ribatejo e Granho,

Filipa Monteiro

19 outubro 2022

CDU questiona executivo sobre Taxa Municipal de Direitos de Passagem

A Lei das Comunicações Eletrónicas (LCE) estabelece que os direitos e encargos relativos à implantação, passagem e atravessamento de sistemas, equipamentos e demais recursos das empresas que oferecem redes e serviços de comunicações eletrónicas acessíveis ao público, em local fixo, dos domínios público e privado municipais podem dar origem ao estabelecimento de uma Taxa Municipal de Direitos de Passagem (TMDP) e à remuneração prevista no Decreto-Lei n.º 123/2009, de 21 de maio, pela utilização de infraestruturas aptas ao alojamento de redes de comunicações eletrónicas que pertençam ao domínio público e privado das autarquias.


Nos municípios em que seja cobrada a TMDP as empresas que oferecem redes e serviços de comunicações eletrónicas acessíveis ao público em local fixo são responsáveis pelo seu pagamento. A taxa é determinada com base na aplicação de um percentual sobre o total da faturação mensal emitida pelas referidas empresas, para todos os clientes finais do respetivo município.

Esse percentual é aprovado anualmente por cada município até ao fim do mês de dezembro do ano anterior a que se destina a sua vigência, não podendo ultrapassar 0,25%.

Há municípios que optam por não cobrar a TMDP, ou fixam um valor mais baixo, tendo como contrapartida o desenvolvimento da rede, permitindo assim servir todos os consumidores/munícipes da região de acessos aptos e eficientes às necessidades da comunidade local.

Face ao exposto a CDU questiona:

- a TMDP é aplicada no município de Salvaterra de Magos?

- não o sendo, porque razão não é aplicada?

- não havendo contrapartidas significativas no desenvolvimento da rede, não devia ser ponderada pelo município a sua aplicação já no próximo ano?


Os eleitos da CDU na Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos,

João Abrantes
André Martins


Em resposta às nossas considerações e questões, o presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Hélder Esménio, informou que se chegou a ponderar no âmbito da CIMLT fazer o estudo, no sentido da receita da TMDP ser incorporada no orçamento da comunidade intermunicipal, tendo em vista o aumento da capacidade de resposta, mas acabou por não avançar.

Afirmou ainda que tem a ideia, admitindo estar errado, de que a aplicação dessa taxa teria repercussões ao nível da factura paga pelo consumidor e que o município nunca exigiu contrapartidas financeiras ou de melhoria da rede aos operadores privados, com base nesse considerando, não faltando o corriqueiro argumento tão do agrado da direita liberal das "taxas e taxinhas". 

A CDU considera que estes argumentos não fazem grande sentido à luz do Decreto-Lei n.º 25/2017, de 3 de março, onde se define que as taxas municipais de direitos de passagem e de ocupação do subsolo não podem ser imputadas ao consumidor, obrigando as empresas titulares de infraestruturas a comunicarem aos municípios o cadastro das suas redes nesses territórios para efeitos de liquidação da TMDP e da Taxa Municipal de Ocupação do Subsolo.
 

13 outubro 2022

CDU questiona executivo municipal sobre vias rodoviárias em Foros de Salvaterra

Considerando que:

  • a Rua do Campo de Futebol e a Rua 1.º de Maio em Foros de Salvaterra foram pavimentadas com betuminoso recentemente;
  • as respetivas vias têm a largura de 2,45 metros (quase 2 metros e meio);
  • não foram aplicadas quaisquer marcas rodoviárias de sinalização horizontal, designadamente guias e linhas contínuas e descontínuas; 
  • não foram construídas vias pedonais contíguas (passeios);
  • o IMT - Instituto da Mobilidade e dos Transportes, em parceria com o LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil), publicou em Junho de 2020, um documento, com as normas para aplicações a arruamentos urbanos, designadamente com as características geométricas para rodovias para tráfego motorizado;
  • no item respeitante à largura das vias de trânsito, verifica-se que (e passamos a citar): “larguras de via até 2,75 metros poderão ser usadas nos atravessamentos urbanos por estradas de faixa de rodagem única e duas vias, desde que estes sejam dotados de passeios, como forma de limitar a liberdade de escolha da trajetória dos veículos e de condicionar a escolha de velocidades pelos condutores de veículos ligeiros ou pesados.";

Rua 1.º de Maio, Foros de Salvaterra

Face ao exposto, a CDU considera que estamos perante duas situações de arruamentos urbanos onde não estão a ser respeitados os normativos contemplados pelo IMT e pelo LNEC, que contribuem para promover a melhoria da segurança da rede rodoviária municipal, designadamente através da adopção, no país, de critérios uniformes no dimensionamento do traçado e no ordenamento da envolvente dos arruamentos urbanos.

Nesse sentido, questionamos o sr. Presidente da CMSM se, futuramente, irão ser previstas implementação de medidas concretas no terreno que respeitem as normas e a uniformização de critérios pretendidos pelo IMT e pelo LNEC para as redes viárias municipais.

Ainda neste âmbito, verificou-se que, também recentemente, foi repavimentada a Estrada Forno do Tijolo em Foros de Salvaterra, no troço compreendido entre a Estrada das Malhadinhas e o Caminho D’el Rei. Cremos que esta intervenção foi da responsabilidade da empresa E-Redes (EDP). Verifica-se que já existem alguns abatimentos numa das vias, o que não é admissível. Considerando que se trata de uma estrada municipal, cuja responsabilidade de manutenção está a cargo do Município, questionamos se a Câmara Municipal já tem conhecimento desta situação e se vai avançar ou já avançou com o pedido junto da E-Redes para regularizar devidamente o pavimento.

Os eleitos da CDU na Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos,

João Abrantes
André Martins


Em resposta às nossas questões e considerações, o Presidente da Câmara Municipal, Hélder Esménio, admitiu que as pavimentações dos arruamentos do Campo de Futebol e 1.º de Maio não tenham tido em consideração os normativos contemplados pelo IMT e pelo LNEC, ressalvando que os mesmos não têm a força de lei, são apenas normas que visam melhorar a segurança das estradas municipais, não tendo sido possível implementá-las devido a alguns constrangimentos, designadamente a impossibilidade de manter alinhamentos pela existência de alguns muros próximos das vias.

Relativamente aos abatimentos verificados no pavimento da Estrada Forno do Tijolo, informou que a E-Redes já foi formalmente notificada pelo município para proceder à reparação da situação.