19 março 2026

CDU questiona sobre o cancelamento da Feira de Magos e a reformulação do Mês da Enguia

O cancelamento da Feira de Magos e a reformulação apressada do Mês da Enguia geraram forte preocupação, indignação e divisão de opiniões no concelho.


Compreendemos que a reconstrução após as cheias seja prioritária. O que não aceitamos é que essa prioridade sirva de pretexto para eliminar um dos momentos mais importantes da vida económica, social, cultural e comunitária de Salvaterra de Magos.

A Feira de Magos, antiga Feira de Maio ou Feira de Salvaterra, não é um luxo nem um capricho. É identidade, trabalho, rendimento e economia local. Obviamente, e já nos havíamos manifestado anteriormente, considerávamos muito positiva a reformulação feita na Feira de Magos, nomeadamente a organização, o cuidado e a imagem do espaço, a aposta na vertente agrícola e económica do evento, mantendo sempre o seu caráter popular e lúdico. No entanto, criticávamos os gastos excessivos sem retorno ou impacto económico quantificado, nomeadamente em artistas; aí sim, estaríamos de acordo com o corte desses custos, mas nunca com o cancelamento completo de uma feira tradicional e popular.

Num vídeo divulgado pelo município, a Presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos refere a existência de danos grandes em muitas infraestruturas, mas a decisão foi tomada antes de existir um levantamento rigoroso dos prejuízos, conforme se confirma pela leitura do Relatório de Atividades, que enumera danos, mas não apresenta valores concretos nem estimativas financeiras.

Hoje, ao analisar o Ponto 2 do Relatório da Atividade do Município, nas páginas 16, 17 e 18, referente ao Impacto Operacional, verifica-se que o documento menciona expressamente:

“- Inundações;
- Quedas de árvores;
- Queda de estruturas e elementos associados;
- Condicionamento/submersão de vias”.

A questão que se coloca e aqui e voltando ao vídeo em que é anunciado é a seguinte:

- Existem já relatórios com valores objetivos dos danos?

- Em que dados concretos se baseou uma decisão tão grave e com impactos tão profundos?

Municípios como Salvaterra de Magos não podem suportar sozinhos os custos da reconstrução. É essencial exigir apoio firme do Estado central e mobilizar todos os mecanismos nacionais e europeus disponíveis.

Transferir estes custos para a população, pequenos comerciantes, produtores, artesãos e associações é socialmente injusto e politicamente errado.

Em vez de cancelar, poderia ter-se reformulado o evento, reduzindo custos com grandes artistas, valorizando a prata da casa, reforçando a vertente agrícola e apostando na economia local. Essa seria uma solução equilibrada, justa e solidária.


Salvaterra de Magos, 28 de fevereiro de 2026

O eleito da CDU na Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos,

Nuno Monteiro

Segundo  a Presidente da CMSM os valores apurados dos estragos/danos rondam os 600 mil euros em estradas, 87 mil euros em taludes e 559 mil euros em equipamentos municipais. Os valores foram apurados por técnicos e engenheiros do Município. Os valores poupados pela não realização da Feira de Magos são de 200 mil euros e pela reformulação do Mês da Enguia são de 100 mil euros.

Sem comentários:

Enviar um comentário